segunda-feira, 21 de julho de 2008

Solitária eternidade

Sentindo-se nervosa e confusa, Sírio foi ter com Santiago àquele lugar mágico no qual, outrora, tinham sido abençoados pela chuva. Ela estava tão lindo e parecia que nada no mundo podia abalar os alicerces daquele ser. Porém, ambos sentiam que o fim estava próximo.
Santiago...

Querida.
Há algo que descobri e que te quero contar. Além disso, espero que entendas e concordes com a minha decisão a respeito desse assunto...

Tudo bem, diz-me.
Sem rodeios, por favor, entende, eu já gastei horas e horas de sono a pensar nisto e não aguento mais. Santigao, vamos ter um filho!


Ficaram ambos em silêncio durante um longo momento que pareceu eterno. Ela pensava que se tivesse dito de uma forma mais soave talvez ele não ficásse tão surpreso e ele não queria acreditar no que ouvira, mas mantinha-se em silêncio. Ambas as mentes fechadas e indecifráveis.
Sírio...
Meu amor, é verdade. Eu não sei o que pensas, não consigo perceber o teu olhar, mas eu decidi que quero ter este filho, Santiago. Quero, além de tudo, poder ter uma parte de ti comigo para, assim, fazer com que o nosso amor se eternalize...ainda mais.

A sua mente trabalhava furiozamente, pobre James. Todavia, era uma imensa alegria que o preenchia quando a abraçou e lhe disse que estava muito contente por terem tido aquela noite.

Tudo acontece por uma razão...não creio nisso. Mas que as coisas acontecem e a cadeia de acontecimentos que daí provém traz sempre algo alucinante e novo é verdade. Neste caso foi fabuloso, Sírio. Estou tão contente que agora só queria poder aguentar-me...

Uma lágrima correu na face dela. Cuidar de uma filho sozinha enquanto lutava por se formar não será fácil. A dor, imensa agora, de perde-lo quando poderiam ser ainda mais felizes. No entanto, não passava de uma porta, uma nova porta, que se abria para ambos: a Eternidade.

E, então, juntos caminharam uma última vez à beira rio recordando um amor mítico que, tanto em vida como em morte, existirá.