domingo, 17 de agosto de 2008

Cláudia diary

“Os heróis também comem.”
Assim que abri a tampa do iogurte, sim ainda lancho como as crianças comendo iogurte de morango, encontrei os versos descritos devido a uma campanha para vender mais produtos. Mas não sei porquê, gosto de ler estas tontices e ficar a pensar na vida. Dizem que Deus nos envia mensagens durante todo o dia e que nunca as descodificamos. Sabes, já não acredito em Deus, não, as doenças mortais não surgem porque Ele nos quer dar outra visão de vida. As enfermidades manifestam-se por mutações, defeitos congénitos e maus comportamentos. Não existe nenhum Deus, apenas acreditamos num ser supremo pois precisamos dessa confiança para sobreviver a mais um dia caótico. Acredito no trabalho e personalidade das pessoas e no fim é só esperar e ter fé, confiança.
Mas não era sobre isto que esperava escrever, é sempre assim!
Gostei de por momentos, em que estou sentada em frente ao computador ou enquanto miro paisagens, imaginar que sou uma heroína da nossa história. Afinal, todos somos heróis quando chegamos ao final do dia. Mas escrever é a melhor maneira para nos conhecermos, para te conhecer como ninguém como quando falas no comboio, para saber o caminho a seguir, para perceber que os erros que cometemos no passado se transformam em boas atitudes no futuro. Ainda tenho pesadelos, como uma pequena criança que sonha com os monstros que estão debaixo da cama.
Ai! Tenho tantas saudades tuas, daquela tua firmeza e personalidade fascinante. Gosto de conversar contigo, tanto posso conversar sobre aspectos do mundo como também das banalidades da cor do verniz, maquilhagem e roupa. Serves-me como uma luva, uma capa, uma irmã. Conhecendo-me todas as arestas e vértices, pintas a manta e descodificas todos os olhares.
Sabes, parece que não é desta que nos vamos separar de todo. Pelo menos ainda podemos nos intervalos da vida entre um café e tablete de chocolate conversar sobre os novos desafios.
Hum… Ainda não fiz o ponto da situação com esta conversa toda!
Pois bem, de assuntos arrumados e com uns dias passados na praia, rumei para a aldeia dos meus pais, tios, primos, avós e famelga. Não faço planos para vir para cá, confesso. Mas por momentos, o corpo pede esta paz e conforto das tias e família. Os olhos ficam cheios do verde e a natureza entra em mim, sabe bem andar descalça. Por momentos, sou a Maria. Passeio entre os campos, acariciando os animais, sorrindo ao sol.
Por aqui, o vento sobra nas árvores, como a fruta que colho e leio sentada no balcão observando o pôr-do-sol, não tenho grandes projectos, vivo como uma camponesa.
Absorvo a meninice e recarrego baterias para uma vida mexida, em que ser decidida e despachada é uma atitude a seguir.
“Olha para ti… Ainda há princesas”.
E Esta? Hein? Mesmo para a ocasião. Estes iogurtes conquistaram-me. Mereciam fazer parte de uma colecção!
Da tua, Cláudia.

sábado, 9 de agosto de 2008

Sarah's Diary (1)

Sis, adorei o fim que desta à nossa história conjunta.
Devo dizer que foi uma experiência empolgante escreve-la contigo. Desde o incio que cada uma de nós se afeiçoou a uma das protagonistas e, enfim, não resistimos a acrescentar-lhes algo de nosso. A tua Sol com os teus caracois e sonhos de médica e a minha Sírio com os meus gostos e sonhos de arte. Depois vieram os seus apaixonados que tiveram, também, algo de nosso que, porém, não interessa nada agora, pois os tempos mudaram e, à nossa maneira, libertaámo-nos de passados que, de certa forma, nos consumiam o tempo e os miolos.
Em tempo de olhar para o futuro e ter esperança nele, dou por mim todas as noites a olhar as estrelas, enquanto apanho com o vento gelado na cara e nos cabelos, e a pensar em todas as pessoas que estão longe de mim. Os amigos estão quase todos longe e eu longe deles estou, basta morar onde moro e saber-se-à como !.
No entanto, tenho observado a Cassiopeia sérias vezes, bem como um holofote fortíssimo de uma discoteca ali para atrás das montanhas, e lembro-me de pequenos momentos passados que me deram a volta à cabeça e plantaram em mim um tipo de árvore, que não é desconhecida ao jardim da minha mente, mas que, desta vez, criou raízes profundas, penso eu. É que há muitos dias que a minha vista não vislumbra esta árvore, mas pensa em como estarão os ninhos dos passarinhos que os fizeram nos seus ramos, se as criam já nasceram, se os pais já os alimentaram, se os vento os levou, se...
Vá lá, tu percebeste a metáfora! No fim de contas és quem és... Não, não olhes para mim assim. Para mim, pois, consigo re-imaginar-te a olhar para a minha cara rosada e rires enquanto me expremo pelo assento do comboio abaixo!
Anseio pelo teu retorno e por mais uma tabelete de chocolate com 86% de cacau!
E espero que tenhas ''ido aos cornos do touro'' muitas vezes e que, claro, tenhas saído de lá inteira!
Aqui,
A sempre tua Sis.
PS. - O verdadeiro nome da Sírio é Samanta.

sábado, 2 de agosto de 2008

Fim

Era uma vez… Um dia de Verão soalheiro. O calor sentia-se na pele nua e os olhos semicerravam-se na busca de uma paisagem para lá da viatura. A viatura de grande dimensão deslocava-se através de carris. Duas figuras, uma masculina e outra feminina, encontravam-se naquele lugar para dar continuidade a um passado. A vida é um ciclo e as emoções do passado antecedem e repetem-se por vezes no futuro. Ele, de cabelos pretos e olhos verdes, procurava com as suas mãos enegrecidas de tinta um objecto de emissor de música. O seu olhar contava uma história antiga, quase impossível, não fosse a morte quase levar o seu pai. Quase. A doença debilitou-o e a sua mobilidade e memória aos poucos se desvaneceram. A mãe do rapaz ensinou-o desde pequeno que as coisas mais simples são as melhores, mulher de coragem e arte, toma todos os dias conta do marido e juntos vivem o dia como se fosse o último. Partilham as suas actividades, enquanto ela pinta, ele sussurra-lhe as suas sinfonias cantantes. Quanto a tarde chega, ele pega na mão dela e juntos passeiam pelo cais, em memória dos velhos tempos. O vento e a maresia recordam-lhe todas as memórias de uma vida agarrada ao segundo. E para sempre aquelas duas almas vaguearão. Ele pode até ser grisalho e ela conter rugas, mas amar-se-ão de mãos dadas, unidos para sempre.
A rapariga no comboio, também foi fruto de um amor progressivo. A sua mãe deixou-se apaixonar por um rapaz de matemáticas que continha segredos, um deles era o seu amor aos animais. Assim, viverão numa quinta, ela médica, ele veterinário. Juntos correm por um campo de trigo, ela de cabelos compridos aloirados pelo sol e ele vestindo camisa de fazenda no corpo. A vida dá algumas voltas e os amores do passado transformam-se em amizades.
A vida dá-nos uma segunda oportunidade seja ela a vida ou uma oportunidade de recomeçar. Por vezes é difícil encontrar uma nova via que corra sobre os carris. Por vezes, o coração bate devagarinho e a morte surge, mas um grande amor pode afugentar as maldades. Uma nova vida traz a esperança. Nem sempre o final é dramático. Porque não existe fim. A confiança e a aventura numa nova pessoa podem ser fundamentais para um novo começo.
Não interessam os nomes, pois muitos deles não representam quem somos.
As pessoas é que fazem os nomes, recordo.
As pessoas já o leitor conhece, basta juntar as peças e formar um puzzle e imaginar novos acontecimentos.
Os dois jovens conheciam-se há muito, desde pequenos. E juntos seguiam para um novo ciclo, amedrontados e confiantes.
Quanto o vento lhes bate na cara recordam quem são e o seu passado.
Tudo num simples comboio, entre paragens e destinos se conta uma história sem final.