segunda-feira, 28 de abril de 2008

Quem?

Soava a...nem sei bem, Sol! Mas só sei dizer que foi, credo, lindo, demais, divino!!!

Bem, as minhas paredes ficaram modos que estranhas, hihi! Acho que o José tem mais jeito para a natureza e...

P'rá horta!!

Parva! Eu dou-te a horta!

Dá, agricultora!!!!

E riam sem parar, enquanto a carruagem se movia ao ritmo do resto do comboio e os primeiros raios de sol da manhã entravam pela janela.



Ai, deixa-me respirar...

Huuu, pensei que só o teu James te deixava sem ar!

Podes crer que deixa sem ar, sem tudo!

O quê!?

Aii! Calma, expliquei-me mal, ahah!

Pois pois! 'Tás é mortinha para lhe saltar em cima, maluca!

Eu? Nah...Talvez...SIM! Ele é tão...

Tão?...

Lindo...

E a última palavra fora proferida com tal carinho e paixão que nenhuma das duas teve a coragem de quebrar o silêncio que se seguiu a ela.

Sol, eu amo-o.

Sol virou a sua face e ficou iluminada pelo sol. Sorriu e não disse mais nada, pois sabia que a única pessoa que quebra os silêncios de Sirio era ela própria.

Amiga, eu sinto que posso mover o mundo com ele a meu lado! Ele tranbsmite-me uma segurança inabalável! Nunca me senti assim e sempre fui muito segura na vida. Mas ele é tão...é indefinível, sinceramente. Só aquele olhar azul, aqueles cabelos loucos, os traços perfeitos, os braços fortes, o porta atlético, a cultura que ele tem!...E a arte que dele emana, que aura, que Alma. Ele é o homem mais belo que já vi, que já ouvi...

Ao ouvir aquelas palavras, Sol sentiu-se pequena e carente. Tão carente que, de repente, desejou que José aparecesse ali e a levasse a voar acima das nuvens.


Mal poço esperar para o ver de novo. Cada dia que passa é um milagre, sabes? Ele ama-me! O homem com quem sempre sonhei ama-me! Eu nunca namorei, Sol, acreditas? Tenho 22 anos, estou no primeiro ano de mestrado e nunca tive uma relação. Ok, já me apaixonei e já houveram apaixonados por mim, mas poucos, muito poucos até, e nunca nenhum deles era quem eu sempre quis. Até que...Santiago! Já não me imagino a viver o meu dia-a-dia sem ele, sem as melodias dele, sem a sua voz melódica, sem o seu perfume encantado, os seus braços fortes à volta da minha cintura protegendo-me dos males do mundo!

Sirio deu-se conta de que a amiga não a olhava com o seu habitual olhar doce e pacífico, mas antes dava a sua atenção às casas que se moviam lá fora. Decidiu remeter para o seu silêncio, apesar de interiormente gritar por um único nome. Ela sabia que Sol a ouvia, mas estava, ao mesmo tempo, distante.

Será que estou a pensar demasiado em mim, apenas? Mas estou tão feliz que nem consigo pensar nos outros. Pela primeira vez na vida sei o que é ser egoísta e pensar só na minha felicidade. Mas estou a ser injusta com ela. - pensou Sírio para si própria.

Reparando que a amiga dera conta da sua apatia, resolveu sorris-lhe. E encerrou a conversa por ali. Era altura de Sírio sair na sua paragem e ir abraçar os seus estudos e o seu amado que, com certeza, a esperava às portas da Universidade.

Até logo Sol...

Até logo Sírio...

Quem era José para ela, afinal?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Coffee

Escolhas. Visto calças ou saia? Como carne ou peixe? Vou dormir ou estudo? Amo ou não? Corro ou sento-me? Coso ou abro? X ou y doença? Imunidade humoral ou celular? Verde ou amarelo? Leite ou café? X ou y? Plano inclinado ou direito? Uso o verbo ser ou ter? Canto em que tom? Beijo-o? Sorrio-lhe? Estou bem assim? Amas-me? Vens comigo? Todos os dias tomamos uma data de decisões, fúteis ou importantes, são escolhas. Usar a impulsividade ou a razão? Há dias em que paro, uso os meus sentidos, penso, penso e penso e ajo. Há outros em que a correria e o desgaste dá cabo de qualquer um e as palavras saem. E então? Erramos. Erramos mais uma vez. Erramos. Errei! E um erro é como um nó num tapete de Arraiolos. Um nó na garganta. Um número enganado. Um sinal mal colocado. Um mau ajuste na equação química. E voltamos a trás? Desistimos? Damos meia volta e saímos? Mais decisões. Eu posso desistir. Mas há um problema, eu adoro jogar! Não há regras de derivação, não há ajustes químicos. A vida é como a arte. Uma pincelada aqui e quando corre algo mau, surge a oportunidade de pensar, o que é que aquele risco pode sugerir? Volto a trás e corrijo? Faço disto um novo retrato? Escolhas. Experimenta uma e se essa não resultar, vai corre... Luta pela outra. Deixa a razão em casa. Embrulha o orgulho numa caixa e vai! Está na altura de te apaixonares. Está na altura de arriscar. Está na altura de mudar. E tu sabes isso...
Sol andava estoirada de tantos livros decorar, de tantos cafés bebidos, imensas horas não dormidas... O cartão com o número de telefone do rapaz 2 (friamente lhe chamava assim) continuava na mesinha de cabeceira. Sírio e James namoravam a cada segundo, minuto e hora. Para eles a vida era justamente o momento. Viviam como se não houvesse amanhã e não se cansavam. O amor era como eles o desenhavam, sem regras, sem nomes, sem palavras, mas sim, uma tela de cores, frias ou quentes, traços. Não existiam cálculos nem máquinas. Era puro artesanato. Amor feito por eles e para eles. A arte dos dois conjugava-se. E mais uma vez, juntos faziam inveja à rigorosa ciência, fria e calculista.
Do ouro lado da linha estava Sol. Levantou-se e puxou a cortina que tapava a varanda. De pijama e com o cabelo despenteado, deitou um olho ao jardim. Observou uma avó e uma neta...
De repente o sol brilhava com mais força, o vento assobiava e as nuvens dançavam ao som do sorriso de duas figuras. Aquilo chamava-se cumplicidade. Eu diria até felicidade. E o segredo disto? Hoje penso que isto resulte do amor. Aquilo que faz com que nos sintamos como uma montanha russa. Sol arrancou todas as cortinas, pegou num pano e limpou. Arrumou. Tomou um banho. Simples e pronta, pegou no telefone e marcou os dígitos.
Minutos depois... José entrou pela casa e juntos pintaram as paredes de branco e no final desenharam, escreveram... fizeram arte. Conversaram sobre todas as aventuras. Imaginaram férias na aldeia.
Sol sabia agora que estava na altura de deixar de pensar. E apaixonou-se... Só faltava agir...

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ele e a Sua Música

Conheces Sol?
Sol?
Sim, a minha amiga Sol.
Ah, de vista. Um amigo meu é que me falou mais dela...
A sério?!
Sim, acho que eles estavam em vias de namorarem, não sei.
Hum...
Porquê?
Não sei, tenho uma impressão de que há muitas nuvens no céu hoje.
O quê!? Lá estás tu com as tuas metáforas loucas de novo!!

E ele atirou-se a ela com um beijo mordaz no pescoço. Ela sentiu o arrepio e levantou-se antes que, não conseguissem os dois resistir, chegassem atrasados à universidade.

Santiago?
Diz?
O que vai acontecer a partir de agora?
Não sei, nem quero adivinhar. Deixa fluir dia após dia. Desde que tenhas a minhaq confiança e eu a tua acho que seremos felizes!
Tens razão. Até porque eu não gosto de fazer promessas. Não que não as consiga cumprir mas...
Eu entendo, Sinfonia minha.

E sorriu, como só ele sabia.

Credo!
Que foi?
Esse teu sorriso maroto dá cabo de mim! Importaste de parar!?

E riram, sorriram, brincaram até que se tiveram que separar na universidade.

Até mais logo, James.
James, torna-se um hábito. Santiago...É sinónimo, mas enfim. A tua mania de inglesar as coisas...
Oh...desculpa Beleza!
Sotaque brasileiro agora!? Tás louca!
Ahaha, vá lá, dá-me o desconto, já te disse que me pões doente quando...
Sorrio? Assim? Tá giro?!
Aaahhhh!!

Ela agarrou-se a ele como uma lapa à rocha. Sentiu o perfume dele, magnético e cheio de charme. Ele passou a mão pela cintura dela, acariciou-lhe uma bochecha com a outra mão e depositou-lhe um suave beijinho na testa. E, nisto, cada um foi ter as suas aulas.

Namorada?!
Não.
Não. Então é o quê? Irmã é que não é, não tens meu!
Vês o violino? Vês o meu violino? Ela é a música que eu toco.
Uii! Há muito que não ouvia uma dessas, pah! Emo? Não acredito...
Deixa-me em paz, fogo. Ela acendeu em mim a chama da esperança, entendes? Trouxe luz à escuridão, à minha solidão! Ela fez-me ver que o mundo não é só negro, mas tem cores, muitas cores...
Ok, já vi que é sério mesmo. Tens que me contar como foi, Poeta!
Ahah, querias. Há coisas que tens que ser tu a viver! Até já!

Deixando o colega na mesa da frente da primeira fila, Santiago deslocou-se para a segunda fila. Reparou que o amigo ficara pensativo o resto da aula. Também ele ficara, mas por outros motivos.

Na, na na naaa, na... Não, isto aqui não...Na na , naaaa, na naaa...Perfeito! Hoje ouvirás a minha música, Sírio. Espero que gostes de violino. Senão sempre tenho o piano, a guitarra...

E a desintegração dos corpos radioactivos ficou como ruído de fundo o resto da aula.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Recordações


O dia seguinte acabara de nascer e Sol acordara com a sua luz a bater-lhe nos vidros da varanda. Um passarinho empoleirado na árvore, que crescia lado a lado à casa, cantava uma melodia tão harmoniosa, que desde que Sol se mudara de casa nunca mais usara despertador. O relógio marcava as oito horas da manhã e Sol arranjou-se, pegou numa pilha de livros e dirigiu-se para a esplanada mais perto para tomar o seu café e fotografar o acordar de um dia solarengo, pois a Primavera tinha finalmente chegado para ficar.

Sol caminhava pelas ruas com uma pilha de livros nos braços, vestindo um vestido de renda branco e calçando umas sandálias de couro sorria a todos os espaços da calçada. Os seus cabelos compridos e alisados na noite anterior brilhavam e dançavam na redonda cara de Sol. Acordara cheia de vitalidade e com vontade de escrever mais um conto para crianças. Mas as frequências na faculdade precisam de ser preparadas e uma das nossas heroínas carregada de livros dirige-se para a biblioteca mais próxima.

Á entrada da biblioteca estavam cerca de 25 pessoas em fila para registrarem livros e Sol fazia um esforço para cortar mato e conseguir sentar-se numa mesinha sossegada. Mas como toda a gente tem pressa e impaciência, Sol desequilibra-se e a sua pilha de livros chega a cheirar e beijar o chão da biblioteca... Até que uma mão masculina e de grande a ajuda empilha de novo os livros e quando Sol se levanta e olha para a pessoa em causa...

-Teresa? Maria? - questionou o rapaz. Na verdade quando Sol era mais nova tratavam-na por Maria.

-Sim sou eu... José? Zé?

-Sim. Recebeste...???

-Sim recebi. Como é que soubeste a minha morada?

-Depois de saires da aldeia... Eu escrevi-te durante um ano. E depois soube que a morada para onde escrevia não era real. E... procurei-te durante anos. Agora estou em Lisboa a estudar engenharia...

-Ah! Ainda queres construir a tua casa!

(Riram-se deliciosamente).

-A nossa casa...

-Bem tenho de ir estudar...

-Ah, eu tenho que sair agora para uma aula da faculdade. Tens aqui o meu contacto, se me quiseres ligar. Continuas a mesma menina usando ganchos em forma de corações, vestidos de renda, uma face corada e o que fizeste aos caracóis?- e segurando-lhe a face rosada, ternuramente a beija.

Sentada na sua solitária mesa, Sol tinha aberto o livro de anatomia e olhando em frente pensava na figura de José... Na altura em que ele lhe contava histórias sobre a aldeia e a levava a andar de trenó quando nevava.

Sorria e recordava agora mais velho o rapaz que a tinha ensinado a olhar o céu e a imaginar a forma das nuvens.

Aquela figura de altura média vestindo uma camisa de linho verde e aqueles olhos castanhos que tocavam nos seus cor de mel...

Como uma chama adormecida

Já me esqueci do meu nome.
Quem sou afinal?
Para além de uma incógnita por isolar e descobrir, tal como numa equação?
Equação esta cuja solução seria, não tenho dúvidas, um número irreal.
Raiz quadrada de -1...
Ajuda-me!
E assim Sírio passou os últimos momentos de consciência, antes de entrar no sono, pensando na paz de quando caminhou à beira rio, nessa tarde, vendo os restos de barcos, que um dia serviram grandes pescadores, flutuando à superfície da maré lenta e calma. Tal como eles, ela também se sentia leve e a ondular ao ritmo do mundo, a sua maré, e ao ritmo da respiração de James, a sua noite.
Tinha estado no café com ele, falando de inúmeros temas, cada um sorrindo mais que o outro, cada um encantando mais que o outro. Porém, a fobia de estar fechada num café tomou conta dela e teve que sair por breves momentos. James percebeu que algo não estava bem e, revelando-se, convidou-a para irem passear à beira rio e observarem a beleza das águas. O seu gelo interior, acumulado ao longo de vários anos, derretera-se completamente face àquele olhar intenso e àquele sorriso divinal que ele lhe ofereceu enquanto lhe tirava uma madeixa de cabelo afogueado da frente da cara.
Juntos percorreram uma distância considerável da marina mas, desta vez, em silêncio. Caladas as vozes, já cansadas, limitaram-se a escutar os pensamentos um do outro. Da mente dele emanavam composições melódicas, poesias e saltos na neve. Na alma dela surgia uma pintura, estranha e complexa, banhada com tons dourados, pretos e arroxeados, sublime.
Sabes, Sirio, adorava saber o teu verdadeiro nome. Já tentei saber por pessoas que te conheceram, mas nada. Todos eles me dizem coisas como Nuvem, Pétala, Lua, Cristal e fico cada vez mais curioso. Diz-me, quebra esta tormenta em mim, por favor. Eu confesso, não aguento chamar-te Sirio, não vejo me ti a estrela mais brilhante do céu...
Ela olhou-o, serenamente, tentando decifrar cada palavra que ele dissera. Era um poeta, sem dúvida, cada frase pura inspiração, cada fonema uma arte. No entanto, quando ele fizera a referência ao seu Nome, ela ficara apreensiva. Aquele era o nome mais bonito que lhe tiveram dado na vida, como podia ele não gostar? Será que ela pensara demais e ele, afinal, não nutria um sentimento mais transcendente por ela além de amizade, ao afirmar que ela não era a estrela mais brilhante? Estaria apenas a querer tornar físico um sonho?
De repente, começara a chover fortemente e os seus pensamentos esfumaram-se. Com um movimento rápido e perspicaz, ele cobriu-a com o seu braço e casaco e correram para uma espécie de telheiro com heras a subir pelas colunas que o suportavam. Rindo dos cabelos desgrenhados um do outro, sentaram-se à espera que a chuva terminasse. Como ele estava belo com o cabelo molhado e desalinhado emoldurando-lhe as faces perfeitas. Como o olhar dela ganhava nova vida com as gotas de chuva.
E ela sentiu-o. Tão discreto como o peso de uma pluma, o toque dos seus lábios lançou uma onda de calor intenso por todo o corpo dela. Como que enfraquecida pela força do beijo celeste, ela deixou-se envolver pelo abraço seguro e confiante dele. Era a primeira vez que se deixava descansar e confiava o seu suporte a outra pessoa que não ela própria. Naquele momento pôde jurar que era Vénus e ele Marte, um amor transcendente e digno de uma lenda.
Envolvendo a cintura dela e encostando-a firmemente a si, ele deixou que o seu desejo falasse mais alto e a sua paixão a envolvesse ternamente. Ela acariciou a curta barba de três dias que se estava a afirmar nos traços dele e, enquanto deixou que ele lhe visse a entrega no olhar, o sonho, o afecto, ela pegou na mão dele e correu. Correram pela chuva até à casa que ficava mais perto, a dele.
Ao chegarem à entrada, sentiram que não se poderiam separar mais, tanto física como espiritualmente. E ele, pensando nas chamas da sua lareira quente, convidou-a a entrar e ela foi, pois a ele e ao seu fogo ela pertencia.
Tempo depois, já ele repousava a sua cascata de cabelos cor de noite no colo dela, secos. Ela afagava-a e cantava uma melodia que lhe viera à cabeça enquanto a lenha ardia à sua frente. Tinham rido e contado histórias, debatido temas e feito jogos de inteligência. E, no meio de tudo, ele apenas lhe dera um terno beijo no pescoço, antes de adormecer. Ela sorrira porque sentindo-se os dois loucos por se terem, mantiveram a razão acordada e, mais que isso, o respeito e a responsabilidade. Os dois figuravam entrelaçados e cobertos por uma manta quente e, ao lado, duas canecas de chocolate quente vazias acompanhavam a cena. Melhor que as suas pinturas era esta imagem que, além de real, era perfeita.
Deus da Noite, dorme em paz. Sou tua...
E eu teu, Sinfonia.
A quilómetros de distância, Sol derramava lágrimas sobre as lembranças que guardara de José. Agora, mais do que nunca, tinha medo do futuro, mas sentia uma chama de amor que, não sendo sua, mas sim de uma estrela, acalentava-lhe o coração e trazia-lhe esperança.

domingo, 13 de abril de 2008

Uma caixa (modificado)

Tinham tocado à campainha e Sol, descalça e com o cabelo apanhado, fora abrir a porta. O carteiro trazia uma caixa com um laçarote. Sol pensava no que seria aquilo: um presente, uma bomba, uma partida de mau gosto?



Puxou pelas pontas do laçarote e retirou a caixa.

Lá dentro estava um brinquedo de criança... Um brinquedo que já tinha sido seu.

Mas quem poderia ter mandado tal coisa?

Sol só pensava que poderia ser bruxaria.

A prenda tinha um cartão, que dizia:

"Lembras-te de brincar com ele? Naquela altura em que os teus cabelos doirados cheiravam a lavanda... No tempo em que dizias que gostavas mais de mim do que os animais!

Um beijo, José."

Ela ria-se e sozinha na sala deixava corar as suas jovens e doces faces.

Ele estava de volta!

O rapaz da aldeia que brincava com ela não se esqueceu do aroma dos seus cabelos nem das coisas que ela falava em pequena.

De repente, Sol ficou com o semblante mais carregado, pois não sabia o que viria a seguir.

Tentou ligar para casa de Sírio, mas esta já tinha saído.

Na verdade, a amiga tinha decidido ir tomar um café e ir ler um livro na pastelaria, situada no rés-do-chão do seu prédio.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

The calling

Os traços, tão perfeitos e dificeis de passar para a tela, não lhe deixavam a mente enquanto falava com Sol ao telefone.
Bem, aquele tipo deixou-me a pensar nele, acreditas? Há imenso tempo que não sabia o que era ter um homem na cabeça! - disse Sirio rindo.
Acredito, acredito! Será que aquele...James...tem algum talento escondido para além dos olhos cor de mar e os cabelos indomáveis cor de noite? - disse a amiga enigmaticamente, apenas para provocar a outra.
Aiiiii! Já aprendente a falar por metáforas, Sol! Não pode ser... Mas tens razão. Aquele protótipo de juba ondulada cor de noite deixou-me KO!... Tento pinta-lo agora, mas é-me impossivel captar a ondulação dos seus olhos... - já estava no sonho, no devaneio puro.
Enfim, amiga! O amigo dele era um pedaço de mau caminho também, sabes... É daquele género de pequeno génio por revelar! Adoro...e até estou confiante face a...Nós... - Sol roçava o mistério.
O quê!!???????? Nós!!!?? - o espanto era evidente para Sirio.
Sim...eu já o conhecia de vista há um tempinho. Desde o primeiro momento que o vi que os meus olhos ficaram colados nele...
Ah!! Mas disseste que o MEU James era um Pão!
Hihihi, eu sei! E não é!?
É!
E as duas amigas riram a bandeiras despregadas.
Olha, vou ter que desligar. Ele...veio estudar comingo!
Imagino que coraste agora, Sol!!
Podes crer...
Pu pu pu pu pu... E a chamada caiu.
Irrah...o amor é tanto que até a chamada cai! - disse Sirio para o silêncio da paredes da sua casa e para a imagem aínda sem coloração no olhar de James...

Episode 3

-Stones taught me to fly… – cantarolava uma pequena figura que num dia nublado, cismava pela falta de amor à vida. Entrou pelo comboio. Sentou-se no seu lugar preferido, de onde podia ver as luzes da noite, o vidro estava embaciado e com a mão afastou o vapor de água que se acumulou na superfície da janela. De quem era aquele reflexo? Afinal, como podia ser dela sem o ser.
Desde pequena que aprendeu a usar a imaginação para se sentir confortável e inventar inúmeras situações amorosas e carinhosas. Mais uma vez, imaginava o futuro. Nunca se prendera ao amor, nunca deixava que ele a comandasse. Usava mais a razão e os seus objectivos para tudo. Vivia sempre com todas as suas acções presentes e foram raras as paixões que se cruzaram na sua vida. Até a dançar era ela que comandava e magicava os passos de dança. A vida sem cor e sem surpresas era uma constante da sua a vida.
Se ao menos visse hoje a Sírio… Talvez pudéssemos partilhar estes sentimentos e pintar numa tela uma amizade. Também estou sempre sozinha. Aliás só sei ser sozinha! Desde que me mudei de cidade só conheci a senhoria e a senhora da pastelaria da esquina. – pensava a futura médica.
Ao mesmo tempo e noutro lugar, mais propriamente em sua casa, Sírio, pintava com as suas tintas o retrato de Sol… Tinha gostado dela, daquela sua inocência e ao mesmo tempo infelicidade. Além, disso quando esta desabafou a amiga não fugiu como outras pessoas. Decidida pegou numas moedas e no pente e saiu de casa. Não tinha muito tempo até apanhar o comboio e por isso, penteava-se na rua como se o fizesse em frente a um espelho. A sua personalidade característica tinha na habituado a ser diferente e a não encarar com seriedade as opiniões que as pessoas tinham a seu respeito.
Ainda tenho tinta nas mãos! Não admira que as pessoas olhem para mim. – imaginava e sorria a pintora. Afinal rir-se de ela própria era tão comum e natural que o fazia por instinto.
Conseguiu chegar à estação a tempo do comboio e entrou naturalmente, pois sabia que onde se queria sentar, estaria lá alguém que ela aguardava. Mal a viu abraçou-a, pareceu-lhe estranho como conseguira com poucos minutos estabelecer assim uma relação com uma estrela, como ela lhe baptizara.
Decidiram sair do comboio e rumo a um café, sentaram-se numa pacata esplanada. Enquanto saboreavam um café, conversaram durante horas sobre si, sobre o mundo, sobre tu o que eram… a sua essência. Trocaram contactos e combinaram ir almoçar juntas.
Passados sete dias… Encontraram-se as duas cúmplices na biblioteca, ambas para estudar, sussurravam brincadeiras e os olhos da Sírio riam-se enquanto, as bochechas da Sol formavam umas doces covinhas.
Ambas ficaram com o queixo caído, quando passa por elas, o “Pão” e juntamente e em conversa com um amigo da Sírio… Cumprimentaram as raparigas e juntaram-se a elas na mesa de estudo. A Teresa, nome que consta no BI, sentindo-se um pouco sonolenta, desaparece da mesa de estudo com o amigo da Sírio e esgueira-se para o bar da biblioteca. Conversou, enquanto bebia um chá de tília, com o Francisco, a quem apelidava de MC Matemática, pois pelo que lhe pareceu, o rapaz era um craque em matemática, um pequeno Einstein.
Na biblioteca, os dois conhecidos trocavam olhares e pela primeira vez a Sírio não controlava aquilo que começava a sentir… Conversaram durante imenso tempo baixinho, sobre hobbies, animais, música, filmes e os olhares de ambos tocavam-se magicamente…
-Não queres ir tomar um café, um dia destes? – falou baixinho o Tiago, que em inglês significa James, segundo a Bíblia, mas que interessa esse livro se Sírio só tinha uma religião, a dela.
- Eu não posso… – Respondeu a rapariga que estava a dar ouvidos à razão que lhe indicava que tinha que se concentrar na pintura.
Já em casa e na sua solarenga varanda, com um livro aberto entre as pernas onde se visionava anatomia humana, estava Sol, bebendo um capuchino, saboreando os últimos raios de sol do dia e trauteando uma letra de uma música. Pega no telefone e liga um número que já tinha decorado. Do outro lado da linha, atende a Sírio… que estava nesse momento a pintar…

terça-feira, 8 de abril de 2008

As Estrelas no caminho

Ela ia a correr, a sua mala pesava devido à pilha de livros e material de pintura e o cabelo, enfim, estava que nem uma bruxa alguma vez tivera imaginado. Nunca conseguia domar aqueles ''meios'' caracois nas pontas da cabeleira castanha, tal como não conseguia combater os cabelinhos rebeldes que teimavam em sair do aperto do gancho lilás.


Quando as portas do comboio estava prestes a fechar, ela passa miraculosamente por elas e, encharcada, entra. Quase embarrou com um rapaz alto, de olhos azuis e cabelo em pé, sem gel.


Sim, vamos a ter calma... - pensou ela.


Ele olhou-a uma vez, deviou a atenção para a chuva que caía. Contudo, algo o fez querer voltar a olhá-la, mas ela já tinha subido as escadas para procurar um lugar vago.


Estavamos em hora de ponta, mas ela preferiu sentar-se ao logo ao pé da saída. No entanto, o seu lugar de eleição já estava ocupado.


Bem, vamos ter problema. Raio da moça teve que vir logo para aqui, irra! Quero lá saber, agora levas comigo. - pensava ela enquanto que se sentava mesmo ao lado da outra rapariga.


A rapariga ao seu lado ficou um pouco apreensiva quando ela se sentou ao seu lado. Procurou na sua mente mil razões para alguém se sentar ao seu lado quando o resto da carruagem estava vazio, mas não encontrou explicação. Porém, não tinha o à vontade suficiente com estranhos para perguntar as razões da outra pessoa. Assim, deixou-se ficar, a olhar a chuva lá fora.


Olha, desculpa sentar-me aqui quando está tudo vago, mas gosto de ficar ao pé da saída. Sabes, daqui a pouco isto enche tudo e torna-se dificil sair. Ainda por cima estou um assombro! - disse ela à outra rapariga sorrindo.


O seu olhar era um olhar de quem tem tudo esquematizado na mente, planeado ao pormenor de todas as funcionalidades, mas que, no entanto, se entregava à sorte. Sorte...via-se a sua sorte pela sua figura relativamnete bizarra que exibia.


Ah, não faz mal, eu compreendo. Eu tenho, também, o hábito de vir para este lugar. Ele dá-me mais segurança e abrigo. - disse a estranha meio entre dentes. Corou.


Ela deu um ar de riso e observou a rua através da janela molhada. Pensou em manter-se em silêncio ou ouvir um pouco de música, todavia, algo na estranha lhe deu vontade de continuar a conversar. Sentiu, deveras, uma afinidade quando a outra corou.


Desculpa, mas reparei que tens um livro de medicina. Andas na faculdade, é? - perguntou-lhe ela.


Oh, sim. Também andas?


Não em medicina, mas em energia ambiental. Não tem nada de parecido, mas ambas procuram um mundo melhor, não é verdade? - ela voltou a sorrir, mas desta vez não apenas por cortesia, mas sim porque falava de um sonho.


Palavras sábias. Sem dúvida que concordo. - a estranha sorriu também, mas sem corar desta vez.


Ela achou-a extremamente amorosa, não só porque o sorriso lhe dava um ar jovial e bonito, mas porque presentiu nela uma aura de simplicidade contagiante. Gostava de pessoas assim. Mas mais que isso, acabara de ficar londa das pessoas que eram assim com ela.



Obrigado! Tive agora um acesso de inspiração...



Inspiração...Há uns tempos que não sei o que isso é. Sabes, costumo escrever contos para crianças, mas, não sei porquê, desde qiue entrei para a faculdade que perdi a capacidade de as encantar. Sinto-me irrealisada com esse facto. - confessou ela inesperadamente.



O ar distante com que a estranha ficou depois da confissão deixou-a com uma enrome compaixão por ela. Sentiu, também, que aquele deveria de ser um problema que a afligia bastante. Chegava a compreende-la, pois, como artista que era sabia o que era ficar sem inspiração de um momento para o outro.



Entendo-te perfeitamente. Tenho o hábito de pintar tudo o que vejo por aí. Qualquer coisa é motivo para, no meio da rotina, pegar no carvão e traçar linhas! Por vezes, nas aulas, pego na matéria e desenho-a. É estranho, eu sei, mas sou estranha e gosto... - chegara a vez dela confessar algo em troca.



Nunca proferira aquelas palavras e soou-lhe a revelação. Já muitos lhe tinham dito que ela estava deslocada da sociedade por ter certos momentos de loucura, dizem eles, mas nunca se importou muito. Só que agora, tinha medo que tal revelação indevidamnete ponderada pudesse afastar uma possível amiga do seu caminho.



Eu acho que só é estranho quem não expressa o que lhe vai no interior, ah... Oh, desculpa, eu chamo-me Teresa e tu como te chamas? - perfeito, parece que não a tinha afastado de si.



Teresa? Esquece esse nome! Devias chamar-te Sol, sabes? Desculpa o atrevimento, mas tens ar de Sol, a sério!



Sol? Uau, nunca tinha pensado nisso... - a estranha, a Sol, voltou a corar.



Coras com facilidade, Sol. Se me permites que te trate assim. Gosto de chamar aos outros aquilo que vejo neles, não gosto de rótulos. E além disso toda a gente se chama Teresa, se formos a ver. - sentia uma enorme empatia pela Sol, sem dúvida que nos iriamos dar bem nas viagens de comboio.



É verdade! Aiii, agora ainda fico pior. Bem, gosto da tua forma de chamar os outros por aquilo que vês neles. Achas que posso tentar?



Claro! Força!



Quando entrei, vi ali um rapaz extremamente atraente, chamar-lhe-ia um Pão!!



E riram às gargalhadas. Nunca ela pensara que a Sol se pusésse tão à vontade.



Oh, a minha estação está a chegar. Vou indo então. Espero encontrar-te por aqui mais vezes! Por isso, até amanhã, Sirio! - piscou o olho, virou-se e desceu as escadas.



E a Sirio, que não pensou que a cultura da Sol fosse além da sua p´ropria estrela, ficou a maturar até a paragem seguinnte ser a sua e ter que sair.





Só depois de passar pelas portas e parar um pouco, reparei que o rapaz estava no mesmp sitio e olhava-me. Não sei o que me deu, mas sorri. Não faço ideia o que ele fez em seguida, mas sei que me encaminhei logo para a saída. Se o encontrar amanhã, deixarei que o Pão decida o que quer!



Até amanha, Sol!

Continua...

domingo, 6 de abril de 2008

Na minha nova varanda sob as estrelas

Querido Diário,
Ainda não sabes quem sou, nem para onde vou, com que sonho, o que faço enquanto acordada e a razão por que te escrevo. Dialogo contigo através das teclas e imagino um mundo em meu redor, construo personagens de papel que voam de dia para dia. Uns dias escrevo-te como narrador participante, outros como espectador. Tenho várias ideias, religiões, paixões e por vezes, posso ser contraditória.
Pronuncio e falo contigo porque, neste momento da minha vida, preciso alargar os objectivos e encantos e ir de encontro com a verdade, ou seja, saber quem sou.
Tentei esclarecer a minha personalidade e gostos, mas acho que compliquei mais que clarifiquei. Mas quem é que tem a certeza das coisas? Uns mais que outros, mas as dúvidas… estão lá sempre, mascaradas ou não.
Sim, sou uma jovem feminina… às vezes menina-rapaz, criança, amante das estrelas e dos caracóis definidos nos meus sedosos e rebeldes fios de oiro.

Decidi mudar a minha apresentação, mudar as palavras, letras e pontuação que usava. Vesti-me de mulher, uma roupa justa, escura, uma maquilhagem carregada, um perfume intenso na minha pele e no meu cabelo não existia nem um rasto das minhas espirais. As minhas curvas e o meu balancear de ancas demonstravam um ser sexy que saia de uma casca a que estava envolto. Respirei e dei a conhecer um estranho que habitava em mim. Sentei-me e tentei conversar e impor a minha nova personalidade… Voltei, rasguei as roupas, descalcei-me, arranquei a maquilhagem de mim e com a humidade da rua o meu cabelo encaracolou. Regressei e embrulhei as minhas vidas e os meus sorrisos num papel de parede de criança. Nada mais me prendia… Este mundo de pessoas que não sabem sorrir não estava pronto para mim, ou melhor, eu é que não me inseri nele.
Peguei no bilhete da camioneta e corri para a estação, a chuva molhava-me a roupa e a cara… Entrei no transporte público… E iniciou-se uma viagem, e com os headphones nos ouvidos, uma nova banda sonora nasceu-me da voz… Acompanhada pelos meus cantores preferidos, que usam a sua voz grossa e me falam ao ouvido, seguidos pelo som de um violão corremos ruas e quilómetros.
Acordei e os meus pés tocaram a nova terra… Com esperança…


“Baptizaram-me com o nome… Teresa. Completei há pouco tempo dezoito primaveras e… Mudei-me para uma nova cidade… Gosto de ser quem sou, sem restrições…”

Por hoje é tudo… O café acabou e a minha nova casa, desarrumada ao meu gosto, começa a agradar-me.



E a luz apagou-se. Ela e o escuro e a solidão da noite… Dormindo na varanda da casa, onde a luz das estrelas e da Lua lhe fazem companhia, não há medo do escuro…


Da sempre tua…
(Criança Caracol)



Continua...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Criança Caracol, sou a Lua!

Lá está ela.

E corre e salta pelos montes verdejantes como uma doida!

Ondulam a saia laranja e os caracóis claros, ao sol.

Gostas de dançar, pintar?

Trautear uma melodia, saltar ou escrever um conto?

Quem és?

Vejo-te sempre que o Sol não me tapa com o seu brilho, pequena.

Tens 4 anos.

Não, talvez 6?

Estás na escola?

Sim, mas és naturalmente esperta, pequena.

Olá, sou a Lua.

E tu como te chamas, Criança Caracol?

Hoje andas por aí, sozinha e sem medo, aos pulos por entre as flores e os ratinhos do campo.

Ontem ficaste em casa, mas não sei o que fizeste.

Deves ter estado triste, um passarinho preso chorando pelo vento.

Mas amanhã que farás?

Voarás!

Espero poder estar no céu para te ver, Criança Caracol...



As nuvens voltaram, mas não se atrevem a cobrir-me.

O Sol está a ir-se embora.

A noite aproxima-se e é quase hora de eu brilhar.

Vem para a janela, hoje, e vamos falar noite fora!

Se os teus pais deixarem, claro...

Podemos falar sobre tudo o que a tua curiosidade de miúda quizer.

Vou contar-te os segredos das estrelas!

Gostavas de ser uma delas?

Leva os caracóis a passear ao Sol.

Isso bastará e não precisas de ficar eternamente presa a este manto negro que me cobre e às estrelas também...



Olá Maria, pequena, Criança Caracol...

Ouves-me na noite?

Nos teus sonhos de menina?

Tenho muito para te contar sobre as estrelas!

Dorme bem a tua infância, a manhã está próxima.

Em breve será hora de irmos embora...

Em breve será hora de deixarmos o sonho...

Em breve será hora de observares a realidade ao espelho,

Pequena mulher de 18 anos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Bruised pride...

Passei pela porta aberta, ignorando-a, e deixei-me ficar do lado de dentro.

Depois, parei para falar com um tipo e embrenhámo-nos na conversa.

O tópico, do seu interesse, suscitou-me uma certa curiosidade e tentei ajudá-lo na medida do que me era possível.

Pude adivinhar, desde cedo, o propósito da informação que queria obter de mim, era evidente.
Claro, a vil cobra, segundo o tipo, da qual ele se fazia acompanhar, pretendia igualmente a informação.
Esta servia os propósitos de ambos e, apenas por isso, a troca de palavras ocorreu.

Todavia, como o que ele queria estava para além da minha influência e tinha ocorrido antes de mim, tratei de o encaminhar bem.

Dei-lhe um nome.





Mal sabia eu que esse nome me feria o orgulho no preciso momento em que o disse...
Shhh, Maria, não contes a ninguém, pequenita!

O meu livro preferido!

Um dia destes, perguntaram-me na rua, qual era o meu livro preferido...
Esta foi uma das perguntas mais difíceis de responder...
Mas pensei que para escolher um entre tantos livros, o que escolhesse teria de ser especial e portanto iria sobressair entre os outros.
O livro que abro religiosamente todas as noites antes de ir dormir, como quem abre uma bíblia ao acaso e lê para retirar alguma mensagem de Deus, é o Le Petit Prince, O Principezinho.
Dizem que é um livro para crianças e por vezes, sinto-me um pouco desiludida com tal facto, pois é daqueles livros que devemos levar sempre conosco, ora porque, é pequeno, ilustrado e contém uma linguagem muito simples. Nele poderão ler e conhecer através de metáforas: a amizade, o amor e a separação entre tantos assuntos que retrata.
Trata-se de mais um livro transparente e encantado que a minha mesinha de cabeçeira não abdica.
"E agora, certamente, já se vão seis anos... Jamais contara essa história. Os camaradas ficaram contentes de ver-me são e salvo. Eu estava triste, mas dizia: É o cansaço...Agora já me consolei um pouco. Mas não de todo. Sei que ele voltou ao seu planeta; pois, ao raiar do dia, não lhe encontrei o corpo. Não era um corpo tão pesado assim... E gosto, à noite, de escutar as estrelas. Quinhentos milhões de guizos...Mas eis que sucede uma coisa extraordinária. Na mordaça que desenhei para o principezinho, esqueci de juntar a correia! Não poderá jamais prendê-la ao carneiro. E eu pergunto então: "Que se terá passado no planeta? Pode bem ser que o carneiro tenha comido a flor..."Ora eu penso: "Certamente que não! O principezinho encerra a flor todas as noites na redoma de vidro e vigia bem o carneiro..." Então, eu me sinto feliz. E todas as estrelas riem docemente.Ora eu digo: "Uma vez ou outra a gente se distrai e basta isto! Esqueceu uma noite a redoma de vidro ou o carneiro saiu de mansinho, sem que fosse notado..." Então os guizos se transformam todos em lágrimas!...Eis aí um mistério bem grande. Para vocês, que amam também o principezinho, como para mim, todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa...Olhem o céu. Perguntem: Terá ou não terá o carneiro comido a flor? E verão como tudo fica diferente...E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância.Esta é, para mim, a mais bela paisagem do mundo, e também a mais triste. É a mesma da página precedente. Mas desenhei-a de novo para mostrá-la bem. Foi aqui que o principezinho apareceu na terra, e desapareceu depois.Olhem atentamente esta paisagem para que estejam certos de reconhecê-la, se viajarem um dia na África, através do deserto. E se acontecer passarem por ali, eu lhes suplico que não tenham pressa e que esperem um pouco bem debaixo da estrela! Se então um menino vem ao encontro de vocês, se ele ri, se tem cabelos de ouro, se não responde quando interrogam, adivinharão quem é. Então, por favor, não me deixem tão triste: escrevam-me depressa que ele voltou..."
Quando leio um livro, não pretendo só ler, mas também imaginar e encontrar-me nas entre linhas... Ler não é passar os olhos pelas folhas, é imaginar e sentir... É tomar partido e seguir. É virar a página e partir à descoberta de novas palavras!
És a rosa que eu cativei, e por isso, tenho de tomar conta de ti, porque cativar é estabelecer laços.
We will survive...
E se estiveres triste, olha o céu e pergunta pela rosa e carneiro...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Turn on the lights!

Querido Diário,

Venho aqui mais uma vez... Digamos, que já estou farta de vir aqui sempre pelo mesmo motivo. E não é verdade que ande por ai a bater com a cabeça nas paredes, ainda não! Apenas ando desmotivada como andei nos últimos meses e o que faz isso de mim? Uma apagada, uma sem-abrigo, uma sem sorriso, uma sozinha, uma triste! Mas tenho me aguentado e nem todos os dias são negros! Há que ver o lado bom da coisa... E por isso... Eu percebo porque isto me aconteceu, aliás o que eu não quero é voltar a errar. E deixar este estúpido síndroma tem sido das coisas mais difíceis que tenho feito... E não percebo como é que depois de uma coisa má ainda não veio nada bom. Normalmente a recompensa vem depois de tentarmos mudar de troço, de carruagem... Interrogo-me se este não será o caminho certo. Mas qual será? Experimentei todos menos lutar, mas esse está fora de questão, aliás não tem nexo que me magoe ainda mais... É nestes dias que a minha fé desce e a que vida se mostra um puzzle incompleto. E todos aqueles clichés, de que depois de uma descida vem uma subida, dissipam-se... Prometo não voltar com esta conversa. Aliás ir contra estes sentimentos cansa... O calor aconchega-me a triste e amarga almofada, os pesadelos passam a sonhos e uma boa companhia... Resulta em projectos e ambições. Gosto deste estímulo e de saber que posso voltar a ter a fasquia alta!
Interrogo-me mais uma vez... Afinal, será que existe o amor verdadeiro? Nunca acreditei, nem mesmo agora, mas não percebo como é que gostamos tanto de uma pessoa... Há dias em que pareço uma daquelas miúdas irritantes e histéricas.
Só gostava de saber que partidas a vida nos provoca ainda mais... Mesmo hoje sendo o dia das mentiras.
"Não me venham buzinar/Vou tão bem na minha mão"
E quando o mundo te vira as costas, procura outro autocarro que te leve a destinos diferentes...
Nunca se sabe quem pode ser o teu parceiro de viagem!