Querido Diário,
Ainda não sabes quem sou, nem para onde vou, com que sonho, o que faço enquanto acordada e a razão por que te escrevo. Dialogo contigo através das teclas e imagino um mundo em meu redor, construo personagens de papel que voam de dia para dia. Uns dias escrevo-te como narrador participante, outros como espectador. Tenho várias ideias, religiões, paixões e por vezes, posso ser contraditória.
Pronuncio e falo contigo porque, neste momento da minha vida, preciso alargar os objectivos e encantos e ir de encontro com a verdade, ou seja, saber quem sou.
Tentei esclarecer a minha personalidade e gostos, mas acho que compliquei mais que clarifiquei. Mas quem é que tem a certeza das coisas? Uns mais que outros, mas as dúvidas… estão lá sempre, mascaradas ou não.
Sim, sou uma jovem feminina… às vezes menina-rapaz, criança, amante das estrelas e dos caracóis definidos nos meus sedosos e rebeldes fios de oiro.
Ainda não sabes quem sou, nem para onde vou, com que sonho, o que faço enquanto acordada e a razão por que te escrevo. Dialogo contigo através das teclas e imagino um mundo em meu redor, construo personagens de papel que voam de dia para dia. Uns dias escrevo-te como narrador participante, outros como espectador. Tenho várias ideias, religiões, paixões e por vezes, posso ser contraditória.
Pronuncio e falo contigo porque, neste momento da minha vida, preciso alargar os objectivos e encantos e ir de encontro com a verdade, ou seja, saber quem sou.
Tentei esclarecer a minha personalidade e gostos, mas acho que compliquei mais que clarifiquei. Mas quem é que tem a certeza das coisas? Uns mais que outros, mas as dúvidas… estão lá sempre, mascaradas ou não.
Sim, sou uma jovem feminina… às vezes menina-rapaz, criança, amante das estrelas e dos caracóis definidos nos meus sedosos e rebeldes fios de oiro.
Decidi mudar a minha apresentação, mudar as palavras, letras e pontuação que usava. Vesti-me de mulher, uma roupa justa, escura, uma maquilhagem carregada, um perfume intenso na minha pele e no meu cabelo não existia nem um rasto das minhas espirais. As minhas curvas e o meu balancear de ancas demonstravam um ser sexy que saia de uma casca a que estava envolto. Respirei e dei a conhecer um estranho que habitava em mim. Sentei-me e tentei conversar e impor a minha nova personalidade… Voltei, rasguei as roupas, descalcei-me, arranquei a maquilhagem de mim e com a humidade da rua o meu cabelo encaracolou. Regressei e embrulhei as minhas vidas e os meus sorrisos num papel de parede de criança. Nada mais me prendia… Este mundo de pessoas que não sabem sorrir não estava pronto para mim, ou melhor, eu é que não me inseri nele.
Peguei no bilhete da camioneta e corri para a estação, a chuva molhava-me a roupa e a cara… Entrei no transporte público… E iniciou-se uma viagem, e com os headphones nos ouvidos, uma nova banda sonora nasceu-me da voz… Acompanhada pelos meus cantores preferidos, que usam a sua voz grossa e me falam ao ouvido, seguidos pelo som de um violão corremos ruas e quilómetros.
Acordei e os meus pés tocaram a nova terra… Com esperança…
Peguei no bilhete da camioneta e corri para a estação, a chuva molhava-me a roupa e a cara… Entrei no transporte público… E iniciou-se uma viagem, e com os headphones nos ouvidos, uma nova banda sonora nasceu-me da voz… Acompanhada pelos meus cantores preferidos, que usam a sua voz grossa e me falam ao ouvido, seguidos pelo som de um violão corremos ruas e quilómetros.
Acordei e os meus pés tocaram a nova terra… Com esperança…

“Baptizaram-me com o nome… Teresa. Completei há pouco tempo dezoito primaveras e… Mudei-me para uma nova cidade… Gosto de ser quem sou, sem restrições…”
Por hoje é tudo… O café acabou e a minha nova casa, desarrumada ao meu gosto, começa a agradar-me.
E a luz apagou-se. Ela e o escuro e a solidão da noite… Dormindo na varanda da casa, onde a luz das estrelas e da Lua lhe fazem companhia, não há medo do escuro…
Da sempre tua…
(Criança Caracol)
(Criança Caracol)
Continua...
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