terça-feira, 8 de abril de 2008

As Estrelas no caminho

Ela ia a correr, a sua mala pesava devido à pilha de livros e material de pintura e o cabelo, enfim, estava que nem uma bruxa alguma vez tivera imaginado. Nunca conseguia domar aqueles ''meios'' caracois nas pontas da cabeleira castanha, tal como não conseguia combater os cabelinhos rebeldes que teimavam em sair do aperto do gancho lilás.


Quando as portas do comboio estava prestes a fechar, ela passa miraculosamente por elas e, encharcada, entra. Quase embarrou com um rapaz alto, de olhos azuis e cabelo em pé, sem gel.


Sim, vamos a ter calma... - pensou ela.


Ele olhou-a uma vez, deviou a atenção para a chuva que caía. Contudo, algo o fez querer voltar a olhá-la, mas ela já tinha subido as escadas para procurar um lugar vago.


Estavamos em hora de ponta, mas ela preferiu sentar-se ao logo ao pé da saída. No entanto, o seu lugar de eleição já estava ocupado.


Bem, vamos ter problema. Raio da moça teve que vir logo para aqui, irra! Quero lá saber, agora levas comigo. - pensava ela enquanto que se sentava mesmo ao lado da outra rapariga.


A rapariga ao seu lado ficou um pouco apreensiva quando ela se sentou ao seu lado. Procurou na sua mente mil razões para alguém se sentar ao seu lado quando o resto da carruagem estava vazio, mas não encontrou explicação. Porém, não tinha o à vontade suficiente com estranhos para perguntar as razões da outra pessoa. Assim, deixou-se ficar, a olhar a chuva lá fora.


Olha, desculpa sentar-me aqui quando está tudo vago, mas gosto de ficar ao pé da saída. Sabes, daqui a pouco isto enche tudo e torna-se dificil sair. Ainda por cima estou um assombro! - disse ela à outra rapariga sorrindo.


O seu olhar era um olhar de quem tem tudo esquematizado na mente, planeado ao pormenor de todas as funcionalidades, mas que, no entanto, se entregava à sorte. Sorte...via-se a sua sorte pela sua figura relativamnete bizarra que exibia.


Ah, não faz mal, eu compreendo. Eu tenho, também, o hábito de vir para este lugar. Ele dá-me mais segurança e abrigo. - disse a estranha meio entre dentes. Corou.


Ela deu um ar de riso e observou a rua através da janela molhada. Pensou em manter-se em silêncio ou ouvir um pouco de música, todavia, algo na estranha lhe deu vontade de continuar a conversar. Sentiu, deveras, uma afinidade quando a outra corou.


Desculpa, mas reparei que tens um livro de medicina. Andas na faculdade, é? - perguntou-lhe ela.


Oh, sim. Também andas?


Não em medicina, mas em energia ambiental. Não tem nada de parecido, mas ambas procuram um mundo melhor, não é verdade? - ela voltou a sorrir, mas desta vez não apenas por cortesia, mas sim porque falava de um sonho.


Palavras sábias. Sem dúvida que concordo. - a estranha sorriu também, mas sem corar desta vez.


Ela achou-a extremamente amorosa, não só porque o sorriso lhe dava um ar jovial e bonito, mas porque presentiu nela uma aura de simplicidade contagiante. Gostava de pessoas assim. Mas mais que isso, acabara de ficar londa das pessoas que eram assim com ela.



Obrigado! Tive agora um acesso de inspiração...



Inspiração...Há uns tempos que não sei o que isso é. Sabes, costumo escrever contos para crianças, mas, não sei porquê, desde qiue entrei para a faculdade que perdi a capacidade de as encantar. Sinto-me irrealisada com esse facto. - confessou ela inesperadamente.



O ar distante com que a estranha ficou depois da confissão deixou-a com uma enrome compaixão por ela. Sentiu, também, que aquele deveria de ser um problema que a afligia bastante. Chegava a compreende-la, pois, como artista que era sabia o que era ficar sem inspiração de um momento para o outro.



Entendo-te perfeitamente. Tenho o hábito de pintar tudo o que vejo por aí. Qualquer coisa é motivo para, no meio da rotina, pegar no carvão e traçar linhas! Por vezes, nas aulas, pego na matéria e desenho-a. É estranho, eu sei, mas sou estranha e gosto... - chegara a vez dela confessar algo em troca.



Nunca proferira aquelas palavras e soou-lhe a revelação. Já muitos lhe tinham dito que ela estava deslocada da sociedade por ter certos momentos de loucura, dizem eles, mas nunca se importou muito. Só que agora, tinha medo que tal revelação indevidamnete ponderada pudesse afastar uma possível amiga do seu caminho.



Eu acho que só é estranho quem não expressa o que lhe vai no interior, ah... Oh, desculpa, eu chamo-me Teresa e tu como te chamas? - perfeito, parece que não a tinha afastado de si.



Teresa? Esquece esse nome! Devias chamar-te Sol, sabes? Desculpa o atrevimento, mas tens ar de Sol, a sério!



Sol? Uau, nunca tinha pensado nisso... - a estranha, a Sol, voltou a corar.



Coras com facilidade, Sol. Se me permites que te trate assim. Gosto de chamar aos outros aquilo que vejo neles, não gosto de rótulos. E além disso toda a gente se chama Teresa, se formos a ver. - sentia uma enorme empatia pela Sol, sem dúvida que nos iriamos dar bem nas viagens de comboio.



É verdade! Aiii, agora ainda fico pior. Bem, gosto da tua forma de chamar os outros por aquilo que vês neles. Achas que posso tentar?



Claro! Força!



Quando entrei, vi ali um rapaz extremamente atraente, chamar-lhe-ia um Pão!!



E riram às gargalhadas. Nunca ela pensara que a Sol se pusésse tão à vontade.



Oh, a minha estação está a chegar. Vou indo então. Espero encontrar-te por aqui mais vezes! Por isso, até amanhã, Sirio! - piscou o olho, virou-se e desceu as escadas.



E a Sirio, que não pensou que a cultura da Sol fosse além da sua p´ropria estrela, ficou a maturar até a paragem seguinnte ser a sua e ter que sair.





Só depois de passar pelas portas e parar um pouco, reparei que o rapaz estava no mesmp sitio e olhava-me. Não sei o que me deu, mas sorri. Não faço ideia o que ele fez em seguida, mas sei que me encaminhei logo para a saída. Se o encontrar amanhã, deixarei que o Pão decida o que quer!



Até amanha, Sol!

Continua...

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