quinta-feira, 24 de abril de 2008

Coffee

Escolhas. Visto calças ou saia? Como carne ou peixe? Vou dormir ou estudo? Amo ou não? Corro ou sento-me? Coso ou abro? X ou y doença? Imunidade humoral ou celular? Verde ou amarelo? Leite ou café? X ou y? Plano inclinado ou direito? Uso o verbo ser ou ter? Canto em que tom? Beijo-o? Sorrio-lhe? Estou bem assim? Amas-me? Vens comigo? Todos os dias tomamos uma data de decisões, fúteis ou importantes, são escolhas. Usar a impulsividade ou a razão? Há dias em que paro, uso os meus sentidos, penso, penso e penso e ajo. Há outros em que a correria e o desgaste dá cabo de qualquer um e as palavras saem. E então? Erramos. Erramos mais uma vez. Erramos. Errei! E um erro é como um nó num tapete de Arraiolos. Um nó na garganta. Um número enganado. Um sinal mal colocado. Um mau ajuste na equação química. E voltamos a trás? Desistimos? Damos meia volta e saímos? Mais decisões. Eu posso desistir. Mas há um problema, eu adoro jogar! Não há regras de derivação, não há ajustes químicos. A vida é como a arte. Uma pincelada aqui e quando corre algo mau, surge a oportunidade de pensar, o que é que aquele risco pode sugerir? Volto a trás e corrijo? Faço disto um novo retrato? Escolhas. Experimenta uma e se essa não resultar, vai corre... Luta pela outra. Deixa a razão em casa. Embrulha o orgulho numa caixa e vai! Está na altura de te apaixonares. Está na altura de arriscar. Está na altura de mudar. E tu sabes isso...
Sol andava estoirada de tantos livros decorar, de tantos cafés bebidos, imensas horas não dormidas... O cartão com o número de telefone do rapaz 2 (friamente lhe chamava assim) continuava na mesinha de cabeceira. Sírio e James namoravam a cada segundo, minuto e hora. Para eles a vida era justamente o momento. Viviam como se não houvesse amanhã e não se cansavam. O amor era como eles o desenhavam, sem regras, sem nomes, sem palavras, mas sim, uma tela de cores, frias ou quentes, traços. Não existiam cálculos nem máquinas. Era puro artesanato. Amor feito por eles e para eles. A arte dos dois conjugava-se. E mais uma vez, juntos faziam inveja à rigorosa ciência, fria e calculista.
Do ouro lado da linha estava Sol. Levantou-se e puxou a cortina que tapava a varanda. De pijama e com o cabelo despenteado, deitou um olho ao jardim. Observou uma avó e uma neta...
De repente o sol brilhava com mais força, o vento assobiava e as nuvens dançavam ao som do sorriso de duas figuras. Aquilo chamava-se cumplicidade. Eu diria até felicidade. E o segredo disto? Hoje penso que isto resulte do amor. Aquilo que faz com que nos sintamos como uma montanha russa. Sol arrancou todas as cortinas, pegou num pano e limpou. Arrumou. Tomou um banho. Simples e pronta, pegou no telefone e marcou os dígitos.
Minutos depois... José entrou pela casa e juntos pintaram as paredes de branco e no final desenharam, escreveram... fizeram arte. Conversaram sobre todas as aventuras. Imaginaram férias na aldeia.
Sol sabia agora que estava na altura de deixar de pensar. E apaixonou-se... Só faltava agir...

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