segunda-feira, 31 de março de 2008

Final do mês

É tarde... Muito tarde, aliás. E eu como sempre já deveria estar a dormir. O problema é que há cá um bichinho em mim que me angustia e me atormenta. Nunca sentiram que depois de algum tempo chegaria o dia em que iram dar provas de alguma coisa em que andaram a treinar arduamente? Não sei... De onde virá esta pressão em mim... Parece que estou prestes a estoirar de melancolismo... Vagueio em mim, por ruas distorcidas, desbotadas, sem movimentos, desertas, silenciosas, vazias, arejada e arenosas. Vejo uns sorrisos lá looonge. E tudo me parece inalcançável, disperso, sem sentido, diria até.
Viajo submersa num líquido, não sou eu...
Sem fé, crenças ou objectivos.
Já pensei que este líquido que me contorna serão as assombrações, inquietudes da vida. Quanto a isso, não possuo um bisturi para que possa cortá-las, não posso fazer o que mais gosto, separar as águas, por o termo a uma situação.
Não gosto de incertezas, de medos e de me deixar levar...
E todos nós somos invadidos pelo passado. E nem todos temos um bisturi nas mãos para o cortar, como se fosse um cordão umbilical. E o que fazemos?
Ora, nunca sei estas respostas... Mas cálculo que o segredo é deixar a velha história em paz, aceitarmos o passado, ou então virarmos uma nova página e por momentos esquecer o que vem no nosso historial médico.
Junte um pouco de farinha pózinhos mágicos e inicie uma nova história.
Por agora, tenha fé em algo, ou em si. E acredite que tem o controlo da situação. E ora... Deite-se que provavelmente... O seu mal será sono.
Estou a um passo de cair no abismo. E estou quase a gritar e a pedir ajuda a ti, ou a alguém que queira iniciar um novo parágrafo.

sexta-feira, 28 de março de 2008

"...não triplicas saldo, mas és uma Coelhinha!"

Estava eu na paragem dos autocarros à espera dela e ela nunca mais aparecia. Raios! Será que se atrasou ou aconteceu alguma coisa pelo caminho?

Tirei o telemóvel do bolso e verifiquei que tinha chegado à hora combinada. Esperei.

O vento estava forte e desalinhava totalmente o meu cabelo preso à pressa, atrás, com um pequeno gancho fuscia. Uma multidão entrava na camioneta que eu tinha acabado de deixar, pronta para seguir viagem do sentido contrário.

Olho em volta, sinto as lágrimas timidas, que o vento me provocava, a acumularem-se nos cantos dos olhos. O sol e o vento faziam com que o lenço fuscia que me adornava o pesçoco me fizesse confusão à vista, tanto que os fios brilhantes me entravam para os olhos às vezes.

Voltei a verificar as horas no telemóvel e acabei por escrever uma mensagem e envia-la para ela, não sem antes ponderar se a estaria a enviar no preciso momento em que ela cruzasse a minha vista.


Enfim, foi o que aconteceu. Porém, esperei um pouco e, antes de ir ao seu encontro,
certifiquei-me da sua identidade. Mas para quê? Aquele andar é único, bem como os ténis vermelhos, o corte de cabelo e os grandes olhos de coelho!

Mal ela me viu acenar em reconhecimento, começou a correr desenfreadamente, tal como eu. Os dias de saudade e tudo o que aconteceu durante os mesmos deram-nos tal força que chocámos num abraço interminável!


Ela mostrou-me, depois, os segredos da estração de comboios e eu ouvi os mumurios das paredes. Elas contaram-me acerca de um amor forte, um rapaz e uma moça que se tiveram vezes sem conta nos braços um do outro ali. Mandei-as calar e lembrei-as que as paredes têm ouvidos mas não têm boca!

Mais tarde, fizemos uma caminhada enorme até, finalmente, chegarmos ao local onde tudo ocorre: nada mais nada menos que a sua casa. Lá conheci a sua companheira que precisa de fraldas quando sai de casa, a canária, uma delicia para os olhos, uma fofura que derrete o coração! Aquela pássara lembrou-se um gelado de limão, por causa das cores claro está.

Entretanto, nessa tarde, muito foi o chocolate que comemos, bolachas e também capuccino! Imensas foram as gargalhadas e incontáveis os sorrisos!

Aquela casa acolhedora não me queria deixar sair, sentia-me em casa lá. No quarto dela vi o meu quarto, logo não tive saudades da minha própria casa.


A hora da despedida teve que chegar, infelizmente. Estava frio e vento, mais uma vez, e o autocarro já esperava por mim.

Com promessas de um encontro breve, bem como uma lágrima reprimida, despedi-me:

- Até para a semana, Danny!

Não sei o que é isto, já devia ter juizinho com esta idade

Corri e enquanto saías gritei do fundo do meu pobre e arrebentado músculo vermelho o teu nome.
Sorri-te e tu sorriste-me, estavas feliz e correste para mim...

O que posso fazer se não sais de mim? Já tentei lavar a minha pele com todas as drogas possíveis para que te fosses.

E agora? Deveria ficar preocupada?

Já nada me interessa. Tenho uma bicicleta e agora quem manda sou eu. Quero a natureza, o sol! A minha liberdade!

Nunca te sentiste, por um dia, feliz? Nunca sentiste que podias fazer tudo?

Pincelas a minha folha de papel, com palavras, gestos e no fundo...

Estou feliz, e agora venha quem vier ninguém me roubará de mim...

Será que a minha recompensa chegou? Será?

Já oiço a buzina da minha bicicleta e quem quiser poderá vir. Afinal, é só fechar os olhos e no imaginário, saímos desta velha cidade e encontramos um campo de trigo.

Pedala comigo... E no final, respira.

A felicidade está aqui, em ti.

2008 é o melhor ano para Capricórnio

O meu horóscopo diz que Abril vai ser o meu mês do amor!

"Ó mãe, a seguir a Março vem que mês?"- em pulgas, gritava.

A-b-r-i-l! És meu! Até vão chover post de amor.

(Até estava com ideias para escrever, mas queria dizer e gritar aos quatro cantos que Abril é meu.)

Deprimente!

Sobre este ser o melhor ano da minha vida? Tretas, o início foi uma desgraça.

Não acreditem nestas tretas. Mas Abril vai ser de quem? MEU!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Suave e fugaz...

Tenho saudades de Pessoa, incompreendido, místico, surreal, fantástico, natural, imaginativo, clássico, furioso, fugaz, pensativo, incoerente, sofisticado, apaixonado, revoltado e… poeta.

Mafalda estava sentada na sua secretária de pinho escuro, registava um verde e volumoso livro, escrevia o nome da obra. E em segundos, entra-lhe pela biblioteca um jovem… Cabelos doirados e acastanhados, alto, uma pele morena, uma barba proeminente por fazer, um conjunto de livros de medicina seguros pelas grandes e fortes mãos. Ela não gostara de o ver, afinal ninguém gosta de ver um bom pedaço de mau caminho!
- Boas noites, Mafalda. – Afirmou, com um sorriso atrevido, o jovem.
- Boa noite… - respondeu a bibliotecária com um olhar de espanto.
Rodrigo sentou-se numa mesa e abriu os seus livros e começou a estudar. Era quase meia-noite e faltava meia hora para que o dia de trabalho de Mafalda acabasse, mas a esta ainda lhe faltava arrumar uma pilha enorme de livros velhos, pesados nas últimas prateleiras da Biblioteca Municipal de Coimbra. Pegou nos poeirentos livros e no escadote e dirigiu-se para as prateleiras. Tinham passado vinte minutos e a recente bibliotecária só tinha arrumado dois livros quando… escorrega-lhe das mãos um livro que por sorte não se desfez em folhas quando aterrou no chão. Ao dobrar a esquina da prateleira surge um corpo masculino que possuía uma cara que ela reconheceu, aquela que não lhe tinha saído da sua mente quando Mafalda se dirigia a casa. Era Rodrigo, estudante de Medicina que tinha fingido ser um aluno da faculdade da Mafalda e por isso, a jovem estava furiosa com ele.
- Parece que precisas de ajuda… - disse o jovem.
- Daqui a dez minutos a biblioteca vai fechar… - ripostou a estudante de Letras.
- Toma, segura o livro que deixas-te cair… Desculpa-me por ter feito troça de vocês na praxe. Admito… fui um parvo. – Declarou Rodrigo.
- Se me ajudares, talvez te desculpe!
Juntos em menos de cinco minutos, arrumaram a pilha de livros antigos.
- Obrigada, acho que deves um pedido de desculpas aos caloiros que praxaste. – Sorriu-lhe a jovem bibliotecária, com um pouco de pó no cabelo.
- Eu farei isso. Desculpa mas tens um pouco de pó no cabelo, eu tiro.
Aquando Rodrigo lhe tirara o pó do cabelo de Mafalda, eles olharam-se por segundos… Aproximaram as faces e por segundos, podiam sentir a respiração do outro…
- Bem, tenho de fechar a biblioteca. – Disse embaraçada a rapariga.
- Já? Queres ir tomar um café? Sei lá… Acho que te devo um! – Segredou-lhe o jovem.
Mafalda… Tocou com os seus lábios nos do jovem e retirou-se…

terça-feira, 25 de março de 2008

"Volta sempre para me salvares"

Estás só, como eu - disse ela, sentando-se de seguida a seu lado.
Estava. Agora que estás na minha presença partilhas comigo a visão deste céu estrelado - ele virou o seu olhar luzidio na direcção do dela, encantado.
É lindo. As estrelas são lindas e a cor azulada do céu a esta hora é fascinante - a expressão dela demonstrava puro encanto.
Tens razão, Estrela mais bela do céu na Terra - aquilo soava naturalmente a declaração, mas ele não ligou, precisava urgentemente de revelar o que sentia.
Ela mirou-o e à esfera celeste e riu. Aquele riso aveludado e argentino preencheu o ambiente à sua volta contagiando-o. Virou-se para ele e depositou-lhe um suave e quente beijo na face. Estava frio nessa noite, mas apenas aquele pequeno beijo serviu para lhe aquecer a cara, e não só.
Vê, ali bem brilhante, no alto. Todas as estrelas se movem, o Sol move-se, tudo se move. Mas aquela estrela não, está sempre ali e é à volta dela que todas as outras se movem. É assim que tu és no meu coração: tudo sofre uma eterna moção, mas o que sinto por ti está selado - e estava dito, não sentia arrependimentos, mas sim um alívio, uma leveza e um prazer enorme nas próprias palavras.
A alma do poeta, a palavra do sábio, a loucura do amante e o dom do artista, sempre soube que és tu - pensou ela ante a metáfora daquele que antes das estrelas já era o seu amor.
Nunca abdiques de mim, dissera-lhe ela a seguir oferecendo-lhe o calor dos seus lábios, mas, desta vez, de encontro aos dele.

Sis


Arrumo os tecidos, os produtos, as fotografias, as imagens, os beijos e as saudades...
Estarei de volta, com imenso material para pôr em ordem.
Imensas tarefas ficaram por fazer... Imensas coisas para imaginar e dizer...
Imensos abraços e beijos para dar...

Coisas inacabadas é o que somos...

E o que mais gosto é de saborear um chá/café na tua companhia, conversando, brincando...

Porque as irmãs são para se usarem, para irem à máquina, para se vestirem em todas as estações. E não me canso de ti. Tu que ouves as minhas parvoeiras até ao fim e te ris de todos os meus sonhos. Tu que me dizes para ir em frente, e que por vezes, me alerta para as decisões que tenho de tomar. És uma grande peça do meu puzzle. O mundo gira muito através do teu. E se sou doce é porque tu guardas o meu sal num pote. Porque tu és... indecifrável.

Ninguém ousará destruir quem somos.

Frágeis, vulneráveis e .... Por outro lado, fortes e sem fim.

O céu está cheio de estrelas bonitas e o amor é como esperar pela estrela cadente, é rápido, e sem previsão, mas aparece de surpresa e origina um sorriso como se alguém visse o rasgar do céu.

E para ti há sempre um pedaço de mim...

Quanto tempo isto irá durar...?

Os sonhos que temos enquanto dormimos demonstram os nossos desejos e receios. E vai na volta, tu apareces num deles. Não sei a razão de tal acontecimento, mas acho que já se tornou diária a tua presença nos meus sonhos, ou melhor, pesadelos. Não me recordo muito bem deles, mas o meu maior receio é que te veja com outra rapariga, que voltes a amar, que me deixes. E quando acordo assustada, digo para mim: “Acorda! Que estúpida!”.
E quando tenho estes medos, só me lembro da designação para estes, sentimentos que nos demonstram que temos algo a perder. E ai sinto-me ainda mais estúpida, uma vez que não tenho nada a perder e também porque o que lá vai, já lá vai, há muito. E ai percebo que continuo a gostar de ti, loucamente e apaixonadamente, apesar de não sentir necessidade de estar contigo ou talvez sinta. Nestes dias sinto-me tão confusa e sem rumo. Que peço a Deus, que me levou a este castigo diário, que me ofereça uma bicicleta de duas rodas, para manter o equilíbrio. E fazendo força nos pedais, voo a grande velocidade para nenhum sítio, lugar ou espaço. Corro porque sabe bem sentir o vento na cara, ver o pôr-do-sol. Sabe bem ser pequena e poder correr, magoar-me, encher os olhos de natureza e no fim, ter um colo e alguém que me desembarace os caracóis, que me desinfecte as feridas com betadine, como a minha mãe faz. E ai me que agarro às costas do meu pai e vou nas suas cavalitas.
Já dei as minhas bicicletas e triciclos. Já dei tudo o que tinha a dar, é um facto. E dou por mim a pensar que a luta ainda não terminou e infelizmente os rascunhos que riscaste no meu coração ainda lá estarão, porque como eu te amo nunca ninguém amou. Porém, o mundo gira sem parar e eu só tenho que pedir uma bicicleta e voar, correr e sorrir, porque o céu nunca morre nem deixa de brilhar e eu gosto de retirar toda a minha modéstia e pensar que sou o céu, com defeitos, mas com doçura de um anjo.
Misturo as palavras, as frases, parágrafos, acrescento as minhas coisas e imagino outras, e quando estou confusa e sem forças, faço da escrita uma miscelânea, que só eu compreendo. Não é bonito, mas representa quem sou. E acho que tentar escrever faz parte de um processo em que se esquecem as regras e quem escreve somos nós, pelo menos como terapia.
Tantas phrases incompletas, textos inacabados, sentimentos por descobrir…
Sinto-te como o cheiro da terra molhada pela chuva, trazes o castanho no olhar brilhante, a tua estatura é média, o cabelo é doirado e os teus lábios são suaves como o algodão doce. Chamas-me carinhosamente e não sei… Quem és, se alguma vez te vi… Lembras-me o passado, beijas-me a bochecha e no final acrescentas…
“Era uma vez…”
E desenrolas um canudo dos meus doces e frágeis cabelos.

Tão utópica… Não te espero, sabes que nunca apareces quando queremos. Mas se eu te virar as costas, volta… Por vezes, as pessoas têm medo de sentir e de ser quem são…
Não sou bicho-do-mato, sou bicho-de-conta, daqueles que fingem que são fortes…

segunda-feira, 24 de março de 2008

Tear down these walls

Repouso no sofá, numa posição estranha: pernas traçadas, deitada meio sentada, cabeça de lado encostada às costas do sofá e os braços abraçam a barriga.
Penso na vontade que tenho de te ter aqui, em vez de estar neste sofá rude, e estar contigo a meu lado, repousar no teu ombro forte, enquanto o teu olhar incendeia o meu, o teu toque percorre as minhas pernas cansadas, o teu olfato perde-se no emaranhado do meu cabelo, os teus beijos suaves se espalham na minha face...
Partilhariamos um silêncio só nosso, mais ninguém o entenderia, ninguém daria conta das mensagens mudas que trocariamos.
Porém, a sala é preenchida apenas pela minha presença e da deste sofá. O livro que estava a ler já está fechado e descança ao lado da confusão que eu estou. Esse livro recordou-me da falta de ti que tanto sinto, a saudade do sermos apenas só nós, as nossas regras, nós...só nós.
Conformo-me, aceito, compreendo e sigo em frente, abro o livro de novo. Volto a fecha-lo, pois a inveja do Amor no enlace é demasiada para mim.
Resolvo começar uma melodia, quem sabe agradável.
Um pequeno vocalizo aqui, um prolongamento aculá, nada de mais. O ritmo vai surgindo, mas a voz é desafinada. Um alto aqui, um baixo ali, um grave além e um agudo aculá. Não ligo, estou a gostar e não ligo a regras. Se me ouvisses ias gostas também, tenho a certeza, pois não ias resistir a juntares-te a mim.
Esta voz que enfeita um olhar esmeralda translúcido, o incêndio destes cabelos que emolduram uma face serena e a transcendência da qual fazem parte sentem a tua falta, precisam de ti para os admirares, para os tornares reais. Se não fores tu quem mais o fará com essa devoção que só em ti vejo? Essa fé que só tu revelas apenas, e unicamente, com esse olhar doce, tão terno?
Céus! Abraça-me e diz-me que tudo vai ficar bem! Peço-te que entres por ali a dentro e me leves daqui, ou fiques aqui comigo. Te entregues a mim, ou me tenhas aqui.
Calo-me abruptamente, levanto-me e começo a dançar como se ninguém estivesse a ver, o que de facto é verdade. A ciência da minha dança assemelha-se a uma pintura de uma sinfonia mágica. É o que tenho, o que te dei e que não quizeste levar.
Aqui estou, rodeada por estas quatro paredes. Estou esperando que te resolvas a destruí-las e me ampares a queda, és o único que sabe que fiquei para trás. Não é tarde para mim, ainda posso descobrir o mundo contigo. Tenho tentado encontrar a saída, mas preciso que destruas estas paredes. Ajuda-me.
Volto para o sofá, cansada. Fito o vazio com olhos vazios, indiferentes, buracos negros, expressão confusa. Consciência desvanecendo, impotente, Alma despedaçada, controlo perdido há muito. Aguardo-te em vão.

Am I Losing You...

quinta-feira, 20 de março de 2008

first day

Acordei com uma menina de pele branca, com um vestido rosa e macio a chamar-me de Primavera. Estaria a sonhar? Olhei para aquele aglomerado de folhas com números, a que ela chamou de calendário, estava marcado com um arco-íris o número vinte, tinha também um conjunto de letras que tentei ler: Primeiro dia da Primavera. Primeiro dia do quê? Nunca tinha ouvido tal palavra, mas a menina, que devia ter cerca de três anos, disse-me: "Está na hora! Está tudo à tua espera! Não vês que és importante!"
Ora pensei que esta pobre criança só podia estar louca, com febre e alucinações. Coloquei então na sua testa, que me pareceu real, a minha fria mão e não senti nenhum calor a mais.
-"Mas o que é que se passa, não costumas atrasar-te para a festa!"
-"Mas qual festa? Quem és tu? Deixa-me dormir, ainda está frio e os dias são curtos."
Depois de proferir tais palavras, a pequena desapareceu e por momentos, voltei a tentar fechar os cansados olhos.
No meu sonho apareciam muitas crianças de mãos dadas a rirem-se. Apeteceu-me rir. A menina do vestido rosa disse:
"Não sabes quem és. Juntos viemos dizer-te que és a menina doce que todos chamam de pequena. As tuas pernas e os teus braços cresceram, mas o teu coração, continua como sempre cheio de cor, fantasias e amor. Não escondas que és a Primavera dos que estão próximos de ti. Não tapes a meninice que tens nos teus olhos. Não queiras fujir. Sê a Primavera de ti e de alguém. Não deixes de usar uma flor a segurar os fios de cabelo, um vestido colorido e aqueles sapatos de ballet. Precisamos de todas as Primaveras. E de todas que transbordam o cheiro das flores, que cantam o barulho das ondas do mar, que fazem calor com os sorrisos."
Levantei-me. E vesti a roupa que tinha guardada no guarda-fatos para um dia de Primavera. Já sabia a razão porque a guardava.
Sai de rompante, pronta a enfrentar o mundo. Afinal, estavam à espera do meu calor, sorriso e cheiro. Esperavam que o amor deixa-se derreter os corações frios. Cantei desafinada até me doer a voz. Sorri até que os sem-abrigos estivessem confortados com o calor. Alimentei todas as crianças de África com uns carinhos.

Não podemos esconder quem somos debaixo dos lençóis. Não podemos deixar de sorrir só porque alguém nos escondeu o sol.

A natureza é tão bela. Mas a nossa natureza é tão diferente. Nunca nos conseguiriamos ligar. Pode ser que encontres alguém que não seja azeite como eu e se consiga dissolver na tua água.
Continuo amando-te, como nunca fiz, como nunca pensei, mas sonhei.
Não és apenas um sonho de Verão, és uma vida que não se resume a estações.
É pena que não queiras ver o meu florescer e que afastes o cheiro das flores de ti.
Sabes não me quero alar contigo.
Sou ainda uma pequena que precisa de colo de alguém que nunca desista de me contar uma história antes de dormir. Não sei ver, porque o essencial é invisivel aos olhos.
Deixa esse frio que me queres dar dentro de um beijo, carinho e sorriso.
Ele não me fará mal.
Afinal, eu nunca quis correr contra ti, nem mesmo acompanhar-te. Eu precisei do teu colo e não do teu desprezo, do teu calor e do teu beijo que fazia o meu mundo parar. E ainda sinto, esse sabor que me davas, essa segurança, isso que fazia com que o mundo fosse colorido.
Adeus, precisas de me largar. Precisas de me deixar no berço. Eu sei.
Agora percebo. Se quiseres voltar, volta. O meu amor não se apaga, nem precisa de férias.
Sabes, gostei de ler a nossa história e não me arrependo do final que lhe quis juntar. Aprendi que nem tudo tem um final, que nada tem um inicio e um termo. Sou apenas poeira que mora nos corações daqueles que sentem a Primavera.

Amo-te de uma forma estranha, suave e com mistério. Amo-te e sempre te amei.

Até logo.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Platónica!!

Canta para mim,
Canta comigo!
Dança também,
E comigo!
Pinta o meu quadro,
Pintemos os dois!
Desenha os meus traços,
Ajudo-te se quizeres...
(Ups!...Só a ti.)

Ahhhh...
Conquistem-me pelos vossos talentos, inteligência e arte de bem falar!
Demagogia, aparência, perfume e arte de bem andar!
Não me parece que isso me chame total atenção.
Brilhinho nos olhos, idiotice forçada, fofura e carinho!
Abracinho suave, toque no meu cabelo e um doce beijinho!
Não creio que consigam algo assim.
Claro, um bom aroma pela manhã, um lindo sorriso pela tarde e uma boa conversa pela noite agarram qualquer uma mas...
Odeio que me agarrem!
Sou livre para me mexer, espernear e berrar a plenos pulmões.
Deixem-me ser maluca e talvez haja uma chance!

Essa tua voz não me sai da cabeça!
A cor do teu cabelo também não...
E a expressão do teu olhar!?
Uii! "Matas-me com o teu olhar!"
Se assim fosse já tinha morrido 10000 vezes!

Ai, paixões platónicas que ainda as tenho.
É pena que "nos ídolos sagrados não se toca!"
Mas bem...
Enquanto o teu clone não me aparece à frente que faço eu?...

E lá me vou deixando abalar pela tectónica de placas, paixão!!!!

terça-feira, 18 de março de 2008

Uma mistura de palavras

Convidas-me a dançar uma salsa, uma dança latina, que nem sei bem o nome. Mordisco o meu lábio. As tuas mãos percorrem as minhas costas e o teu corpo encostado no meu marca o compasso. Direitas, esquerdas...
Danças comigo sem nunca me largares.
Os teus olhos não se desviam dos meus, e o que faço? Renuncio-te, dou uma volta e como uma mulher latina demonstro-te as habilidades que as minhas ancas te proporcionam. Nunca me viste louca, eu sei, aliás poucos são os que já conviveram com a Primavera picante. A tua pele morena morre na minha vermelha e carnuda boca.
Nunca te esqueças do meu nome, nem número de telefone e memoriza todos os meus diferentes sorrisos. Afinal, fervilhas na minha pele, nos meus poros, no meu olhar.
És o raio de luz que brilha nos meus cabelos. E porque me rio quando estou pensativa? Porque me estás na cabeça, na dança, no corpo. E porque a Primavera está treslocada, trocada e com o ritmo bem alto como se fosse um professor em manifestação, como se fosse uma louca pela natureza que brilha na pele de uma jovem que sonha dançar ballet.

Sabor

Perdeste o sabor como se fosses uma pastilha elástica mastigada e sugada por mim. Já pensaste? Tinhamos tudo para sermos felizes para sempre. Mas agora que penso nisso, não, não. O felizes para sempre não existe na minha vida pelo menos. Não faço do destino a minha biblia. Apesar de saber que isto acabaria, se não soubesses vir a trás de mim. Tanto me deixaste correr entre os dedos, que me perdeste do teu coração, enquanto que ainda és e serás o suor da minha pele.


Branches

Uuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!




Atirei-me de uma núvem e fui parar em cima de uma árvore!


Enquanto estava a cair, sentia as gotas da chuva ao pé de mim, tentando chegar ao chão antes de mim.


Mas claro, eu fiquei em cima da árvore e disse-lhes Adeus daqui de cima e vi-as esmagarem-se lá no chão.


Coitadinhas...


Felizmente o raio do ramo idiota amparou-me a queda e acabei por não me espatifar no solo!


Lembro-me de vir em queda livre, completamente possuída pela adrenalina, esquecida de quem era e só pensava em entrar pela Terra adentro e desintegrar-me por ali.


Porém, agora que balanço neste raminho, creio que foi melhor assim.


A vista é mesmo bonita, consigo ver as núvens das quais me atirei, mas essas já estão longe.


Mais lá para o horizonte vejo o meu destino.


Preparo-me para descer do ramo, despeço-me da árvore que o meteu no meu caminho e sigo viagem.


Nunca me vou esquecer desse ramo e, quando finalmente chegar àquele horizonte, vou, de lá, dizer Adeus ao ramo e observar as gotas que caírem nele e não no chão.


Obrigada aos ramos que me não amparam as quedas,


Sara.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vazia como se me fosse espremido o sumo

Vazia e ouca são adjectivos que me qualificariam bem, ou melhor mal, devido à negatividade destes. Sou apenas mais uma folha de uma resma de papel branca e lisa, sem objectivos nem problemas nem certezas nem vontades, um roll de nem's que me caracterizam como mais uma carta de um baralho sem trunfos.
Agora que tenho a cabeça vazia poderia escrever uma estória, um conto, uma série de criançadas. Mas nem para isso a minha passividade daria. Sei bem que a minha vida vai sentada num comboio à minha frente e que eu estou desde lado à espera que este parta.
Neste ar pensativo, cismado, prendo os meus cabelos e pintos os meus olhos de negro.
Quem diria que estaria vazia, sem palavras para usar, sem comentários para fazer e sem retratos para tirar.
Há dias em que ninguém nos apaixona. Há alturas em que o mundo gira no mesmo sentido. Há horas em que me apetece partir para bem longe e correr por algo que nem sei o que é. Como é que podemos ter esta busca por algo no sangue e de repente deixar de a procurar. Como é que fica um escritor se não tiver tema para desenvolver. Como fica um jogador se não tiver jogo. E nisto, os deuses jogam com os dados da minha vida.
Não consigo perceber como tudo à minha volta parece desmoronar-se e afinal, isto são só queixumes de quem não tem mais nada para fazer da vida. Está tudo construído, o futuro esse vejo-o definido.
Sei afinal o que me falta... Quebrar as regras. Cantar de olhos fechados sem saber a letra de côr. Preciso de ter assuntos em que pensar enquanto tento dormir, dançando com a minha cama. Preciso de alguém que me mostre que gosta de alguma coisa em especial. Preciso da Maria a bailoiçar na minha cabeça. Preciso de preencher as prateleiras já limpas. Preciso do ar da minha aldeia. Preciso de uma conversa ao som de uma música e de um café. Hoje não quero mais papeis, nem papelões e papelinhos, fórmulas, derivadas, linfócitos, filos, literatura. Hoje sou só eu e uma chavena de café e um filme. Amanhã é Sábado, o meu dia preferido da semana e por isso, aguardo-o. Sem paragráfos, magias, ternura e açúcar me despeço, cheirando e imaginando e desejando que a lutadora volte, com metas, temas, paixões, conversas e um sorriso melodioso. Porque hoje sou só eu e a minha laranja oca sem vitaminas nem nutrientes.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Alfa & Ómega: Silent battle

Argh, é hoje!!
Já nem me aguento de pé, porra...
Estou tonta, alucinada, sinto que a percepção da realidade se pode dissipar a qualquer momento!
Mas nunca mais chega esse momento!
E...será que vou dar conta?

Não tenho medo da morte, já a enganei tempo demais...
Isto podia ter acontecido há anos, mas não, e acreditei que estava livre!
Inocente idiota, a ciência tem sempre razão, os milagres não existem.
É hoje!

E agora cá estou eu, acordada às tantas da noite, só na casa de banho do rés-do-chão.
Lá em cima dormem os miúdos, mal sabem que é hoje!
Não os quero deixar, não quero, sempre foi esse o meu único medo...
Mas também nunca quis que vivessem anos de tratamentos dolorosos e me vissem acabar desta mesma forma.
Por isso, preferi esconder tudo e viver normalmente, poupá-los, em vez de ter assumido e ter arriscado passar os últimos meses internada ou incapacitada e vê-los sofrer a cada dia...
Esse dia é hoje!

Oh, como não me arrependo, porque os poupei à dor e à sensação de impotência.
Mas essa dor sofro-a eu agora, e tenho-a sofrido todos os dias.
O medo de que fosse ontem, anteontem, há semanas tem me consumido todas as noites antes de fechar os olhos e adormecer.
Mas sinto que é hoje!

Como é bom saber que este sofrimento vai acabar...
Desde que senti o primeiro sintoma que a minha cabeça começou logo a trabalhar.
Que desespero possui o meu ser sempre que a dor vêm mais forte que ontem e, então, sei que a doença avança!
E fico parada a vê-la ganhar a batalha contra o meu corpo.
Há tempo que me rendi e sei que vai ganhar a guerra, é hoje!

Faço uma força enorme e encontro-me ao lavatório para me manter de pé e consciente.
Algo me impele para fechar os olhos e cair para o chão, mas, inconscientemente, luto contra um desfecho já certo.
Olho-me ao espelho, constato que os meus olhos sempre foram daquele castanho e, mais uma vez, são do mesmo castanho, mas um castanho assustado e a desvanecer...
A dor aumenta a cada segundo e o suor escorre pelo meu corpo.
O pânico começa a tomar conta de mim, contra a minha expectativa!
Não me consigo controlar mais, só me apetece gritar!
Por favor, façam esta dor parar, não aguento mais, só quero a minha velha vida de volta!
Quero voltar a sentir a leveza no espírito e não ter medo de adormecer e não acordar mais!
É hoje!

Oh não, alguém acordou e desce as escadas!
Será que fiz barulho?
De repente percebo que não resisti mais e mandei um grito bestial!
É hoje!

E as cartas estão na mesa, já só tenho mais uma mão possível de jogar: a revelação.

Mãe!!!! O que se passa, mãe!!!! Paiiii!!!! A mãe está a morrer!!!

E eu não conseguia parar de me contorcer e gritar de dor...

A Mãe está a morrer!!! Pai!!! Mãe vá lá Mãe!!! Ajuda-me Paiii!!!

Meu filho, não chores, daqui a muitos anos encontrar-nos-emos de novo, no céu, e lá explicar-te-ei porque choras hoje...
Sinto-me acalmar, gradualmente.
Será agora?

Aaaammm...o.....rr!!! Ammmo...r....

Meu amor, já não te consigo ouvir mais, só vejo o teu olhar, a tua agitação, o teu pânico.
Pena que a tua última visão de mim seja esta, pena que a última imagem que terei de ti seja de pavor.

Vou perdendo a percepção da realidade aos poucos, já nem vejo nada, já não consigo pensar e sinto arrepios e calafrios pelo corpo todo, como se a alma estivesse a vaporizar-se.
É assim que se morre?
Tudo tem um preço...
É agora!

Encontramo-nos dentro de muitos anos, espero.
Amo-vos...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Pequena...

Tenho saudades do teu engate, da tua maneira doce, do teu cuidado comigo. Mas nada disto faz sentido agora. Era capaz de fazer um delete. Hoje vivo com uma respiração calma e segura. Caminho convicta que não me arrependo de nada. Nada mais posso arriscar, nada mais posso vencer. Fecho o livro. Já o li e confesso que gostei. É o meu tipo de leitura. E será que a biblioteca não terá mais nada deste género que possa ler?

Afinal existem tantos caminhos diferentes para seguir. Tantos campos para visitar. Tantas personagens para encarnar. Tantos sorrisos diferentes para sorrir. Tantos olhares para experimentar. Tantos mundos onde arriscar.

Perguntas-me, pequenina, e se esses mundos se cruzarem?

Será uma coincidência, tudo o que se uniu uma vez pode se unir uma segunda, mas para isso é preciso haver lutar entre os dois mundos. Percebes? Percebes sem desistir?

Tenho medo da mudança...

Oh minha pequena, podes guardar contigo as tuas coisas antigas e aos poucos ires aprendendo coisas novas. Assim, se aprende, se vive, se respira.

E está na hora de ir dormir!

Oh avó! E o final?

A menina pequenina descobriu a magia de novos mundos, correu em campos de trigo dourado, mergulhou nas água mais profundas, criou infintos sorrisos diferentes...

Mas avó, e o final! E o princepe? Aquele?

Todos são princepes e princesas...

Mas avó!

Amanhã, Maria! Amanhã continuamos a estória!

Está bem avó. Posso dizer-te um segredo?

E Maria sussurou-lhe ao ouvido que adorava as aventuras da pequena...

A avó respondeu-lhe que a pequena era de baixa estatura porque um dia a sua avó também o fora.

Maria termina com um "Avó quando for grande, não quero ser cabeleireira, nem veterinária, quero ser como tu, como a pequena e salvar-te dessa maleita que te leva para onde as estrelinhas brilham."

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Quero ser como tu. Pequena.

E um dia eu hei-de te salvar, eu prometo.

Os olhos da pequena avó estavam banhados de orgulho.

A neta sorriu-lhe com um dos infintos mágicos sorrisos.

Um beijo na testa, um aconchego nos lençois. Um fechar de olhos. Um sonho...

A avó saiu e apagou a luz...

" As pequenas transbordam coisas grandes. E tu és como o céu. Os aviões passam por ti, as tempestades e trovoadas não te assustam. Porque tu te manténs inalterável."