Repouso no sofá, numa posição estranha: pernas traçadas, deitada meio sentada, cabeça de lado encostada às costas do sofá e os braços abraçam a barriga.
Penso na vontade que tenho de te ter aqui, em vez de estar neste sofá rude, e estar contigo a meu lado, repousar no teu ombro forte, enquanto o teu olhar incendeia o meu, o teu toque percorre as minhas pernas cansadas, o teu olfato perde-se no emaranhado do meu cabelo, os teus beijos suaves se espalham na minha face...
Partilhariamos um silêncio só nosso, mais ninguém o entenderia, ninguém daria conta das mensagens mudas que trocariamos.
Porém, a sala é preenchida apenas pela minha presença e da deste sofá. O livro que estava a ler já está fechado e descança ao lado da confusão que eu estou. Esse livro recordou-me da falta de ti que tanto sinto, a saudade do sermos apenas só nós, as nossas regras, nós...só nós.
Conformo-me, aceito, compreendo e sigo em frente, abro o livro de novo. Volto a fecha-lo, pois a inveja do Amor no enlace é demasiada para mim.
Resolvo começar uma melodia, quem sabe agradável.
Um pequeno vocalizo aqui, um prolongamento aculá, nada de mais. O ritmo vai surgindo, mas a voz é desafinada. Um alto aqui, um baixo ali, um grave além e um agudo aculá. Não ligo, estou a gostar e não ligo a regras. Se me ouvisses ias gostas também, tenho a certeza, pois não ias resistir a juntares-te a mim.
Esta voz que enfeita um olhar esmeralda translúcido, o incêndio destes cabelos que emolduram uma face serena e a transcendência da qual fazem parte sentem a tua falta, precisam de ti para os admirares, para os tornares reais. Se não fores tu quem mais o fará com essa devoção que só em ti vejo? Essa fé que só tu revelas apenas, e unicamente, com esse olhar doce, tão terno?
Céus! Abraça-me e diz-me que tudo vai ficar bem! Peço-te que entres por ali a dentro e me leves daqui, ou fiques aqui comigo. Te entregues a mim, ou me tenhas aqui.
Calo-me abruptamente, levanto-me e começo a dançar como se ninguém estivesse a ver, o que de facto é verdade. A ciência da minha dança assemelha-se a uma pintura de uma sinfonia mágica. É o que tenho, o que te dei e que não quizeste levar.
Aqui estou, rodeada por estas quatro paredes. Estou esperando que te resolvas a destruí-las e me ampares a queda, és o único que sabe que fiquei para trás. Não é tarde para mim, ainda posso descobrir o mundo contigo. Tenho tentado encontrar a saída, mas preciso que destruas estas paredes. Ajuda-me.
Volto para o sofá, cansada. Fito o vazio com olhos vazios, indiferentes, buracos negros, expressão confusa. Consciência desvanecendo, impotente, Alma despedaçada, controlo perdido há muito. Aguardo-te em vão.
Am I Losing You...
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