quinta-feira, 27 de março de 2008

Suave e fugaz...

Tenho saudades de Pessoa, incompreendido, místico, surreal, fantástico, natural, imaginativo, clássico, furioso, fugaz, pensativo, incoerente, sofisticado, apaixonado, revoltado e… poeta.

Mafalda estava sentada na sua secretária de pinho escuro, registava um verde e volumoso livro, escrevia o nome da obra. E em segundos, entra-lhe pela biblioteca um jovem… Cabelos doirados e acastanhados, alto, uma pele morena, uma barba proeminente por fazer, um conjunto de livros de medicina seguros pelas grandes e fortes mãos. Ela não gostara de o ver, afinal ninguém gosta de ver um bom pedaço de mau caminho!
- Boas noites, Mafalda. – Afirmou, com um sorriso atrevido, o jovem.
- Boa noite… - respondeu a bibliotecária com um olhar de espanto.
Rodrigo sentou-se numa mesa e abriu os seus livros e começou a estudar. Era quase meia-noite e faltava meia hora para que o dia de trabalho de Mafalda acabasse, mas a esta ainda lhe faltava arrumar uma pilha enorme de livros velhos, pesados nas últimas prateleiras da Biblioteca Municipal de Coimbra. Pegou nos poeirentos livros e no escadote e dirigiu-se para as prateleiras. Tinham passado vinte minutos e a recente bibliotecária só tinha arrumado dois livros quando… escorrega-lhe das mãos um livro que por sorte não se desfez em folhas quando aterrou no chão. Ao dobrar a esquina da prateleira surge um corpo masculino que possuía uma cara que ela reconheceu, aquela que não lhe tinha saído da sua mente quando Mafalda se dirigia a casa. Era Rodrigo, estudante de Medicina que tinha fingido ser um aluno da faculdade da Mafalda e por isso, a jovem estava furiosa com ele.
- Parece que precisas de ajuda… - disse o jovem.
- Daqui a dez minutos a biblioteca vai fechar… - ripostou a estudante de Letras.
- Toma, segura o livro que deixas-te cair… Desculpa-me por ter feito troça de vocês na praxe. Admito… fui um parvo. – Declarou Rodrigo.
- Se me ajudares, talvez te desculpe!
Juntos em menos de cinco minutos, arrumaram a pilha de livros antigos.
- Obrigada, acho que deves um pedido de desculpas aos caloiros que praxaste. – Sorriu-lhe a jovem bibliotecária, com um pouco de pó no cabelo.
- Eu farei isso. Desculpa mas tens um pouco de pó no cabelo, eu tiro.
Aquando Rodrigo lhe tirara o pó do cabelo de Mafalda, eles olharam-se por segundos… Aproximaram as faces e por segundos, podiam sentir a respiração do outro…
- Bem, tenho de fechar a biblioteca. – Disse embaraçada a rapariga.
- Já? Queres ir tomar um café? Sei lá… Acho que te devo um! – Segredou-lhe o jovem.
Mafalda… Tocou com os seus lábios nos do jovem e retirou-se…

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