sexta-feira, 28 de março de 2008

"...não triplicas saldo, mas és uma Coelhinha!"

Estava eu na paragem dos autocarros à espera dela e ela nunca mais aparecia. Raios! Será que se atrasou ou aconteceu alguma coisa pelo caminho?

Tirei o telemóvel do bolso e verifiquei que tinha chegado à hora combinada. Esperei.

O vento estava forte e desalinhava totalmente o meu cabelo preso à pressa, atrás, com um pequeno gancho fuscia. Uma multidão entrava na camioneta que eu tinha acabado de deixar, pronta para seguir viagem do sentido contrário.

Olho em volta, sinto as lágrimas timidas, que o vento me provocava, a acumularem-se nos cantos dos olhos. O sol e o vento faziam com que o lenço fuscia que me adornava o pesçoco me fizesse confusão à vista, tanto que os fios brilhantes me entravam para os olhos às vezes.

Voltei a verificar as horas no telemóvel e acabei por escrever uma mensagem e envia-la para ela, não sem antes ponderar se a estaria a enviar no preciso momento em que ela cruzasse a minha vista.


Enfim, foi o que aconteceu. Porém, esperei um pouco e, antes de ir ao seu encontro,
certifiquei-me da sua identidade. Mas para quê? Aquele andar é único, bem como os ténis vermelhos, o corte de cabelo e os grandes olhos de coelho!

Mal ela me viu acenar em reconhecimento, começou a correr desenfreadamente, tal como eu. Os dias de saudade e tudo o que aconteceu durante os mesmos deram-nos tal força que chocámos num abraço interminável!


Ela mostrou-me, depois, os segredos da estração de comboios e eu ouvi os mumurios das paredes. Elas contaram-me acerca de um amor forte, um rapaz e uma moça que se tiveram vezes sem conta nos braços um do outro ali. Mandei-as calar e lembrei-as que as paredes têm ouvidos mas não têm boca!

Mais tarde, fizemos uma caminhada enorme até, finalmente, chegarmos ao local onde tudo ocorre: nada mais nada menos que a sua casa. Lá conheci a sua companheira que precisa de fraldas quando sai de casa, a canária, uma delicia para os olhos, uma fofura que derrete o coração! Aquela pássara lembrou-se um gelado de limão, por causa das cores claro está.

Entretanto, nessa tarde, muito foi o chocolate que comemos, bolachas e também capuccino! Imensas foram as gargalhadas e incontáveis os sorrisos!

Aquela casa acolhedora não me queria deixar sair, sentia-me em casa lá. No quarto dela vi o meu quarto, logo não tive saudades da minha própria casa.


A hora da despedida teve que chegar, infelizmente. Estava frio e vento, mais uma vez, e o autocarro já esperava por mim.

Com promessas de um encontro breve, bem como uma lágrima reprimida, despedi-me:

- Até para a semana, Danny!

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