terça-feira, 25 de março de 2008

"Volta sempre para me salvares"

Estás só, como eu - disse ela, sentando-se de seguida a seu lado.
Estava. Agora que estás na minha presença partilhas comigo a visão deste céu estrelado - ele virou o seu olhar luzidio na direcção do dela, encantado.
É lindo. As estrelas são lindas e a cor azulada do céu a esta hora é fascinante - a expressão dela demonstrava puro encanto.
Tens razão, Estrela mais bela do céu na Terra - aquilo soava naturalmente a declaração, mas ele não ligou, precisava urgentemente de revelar o que sentia.
Ela mirou-o e à esfera celeste e riu. Aquele riso aveludado e argentino preencheu o ambiente à sua volta contagiando-o. Virou-se para ele e depositou-lhe um suave e quente beijo na face. Estava frio nessa noite, mas apenas aquele pequeno beijo serviu para lhe aquecer a cara, e não só.
Vê, ali bem brilhante, no alto. Todas as estrelas se movem, o Sol move-se, tudo se move. Mas aquela estrela não, está sempre ali e é à volta dela que todas as outras se movem. É assim que tu és no meu coração: tudo sofre uma eterna moção, mas o que sinto por ti está selado - e estava dito, não sentia arrependimentos, mas sim um alívio, uma leveza e um prazer enorme nas próprias palavras.
A alma do poeta, a palavra do sábio, a loucura do amante e o dom do artista, sempre soube que és tu - pensou ela ante a metáfora daquele que antes das estrelas já era o seu amor.
Nunca abdiques de mim, dissera-lhe ela a seguir oferecendo-lhe o calor dos seus lábios, mas, desta vez, de encontro aos dele.

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