“Os heróis também comem.”
Assim que abri a tampa do iogurte, sim ainda lancho como as crianças comendo iogurte de morango, encontrei os versos descritos devido a uma campanha para vender mais produtos. Mas não sei porquê, gosto de ler estas tontices e ficar a pensar na vida. Dizem que Deus nos envia mensagens durante todo o dia e que nunca as descodificamos. Sabes, já não acredito em Deus, não, as doenças mortais não surgem porque Ele nos quer dar outra visão de vida. As enfermidades manifestam-se por mutações, defeitos congénitos e maus comportamentos. Não existe nenhum Deus, apenas acreditamos num ser supremo pois precisamos dessa confiança para sobreviver a mais um dia caótico. Acredito no trabalho e personalidade das pessoas e no fim é só esperar e ter fé, confiança.
Mas não era sobre isto que esperava escrever, é sempre assim!
Gostei de por momentos, em que estou sentada em frente ao computador ou enquanto miro paisagens, imaginar que sou uma heroína da nossa história. Afinal, todos somos heróis quando chegamos ao final do dia. Mas escrever é a melhor maneira para nos conhecermos, para te conhecer como ninguém como quando falas no comboio, para saber o caminho a seguir, para perceber que os erros que cometemos no passado se transformam em boas atitudes no futuro. Ainda tenho pesadelos, como uma pequena criança que sonha com os monstros que estão debaixo da cama.
Ai! Tenho tantas saudades tuas, daquela tua firmeza e personalidade fascinante. Gosto de conversar contigo, tanto posso conversar sobre aspectos do mundo como também das banalidades da cor do verniz, maquilhagem e roupa. Serves-me como uma luva, uma capa, uma irmã. Conhecendo-me todas as arestas e vértices, pintas a manta e descodificas todos os olhares.
Sabes, parece que não é desta que nos vamos separar de todo. Pelo menos ainda podemos nos intervalos da vida entre um café e tablete de chocolate conversar sobre os novos desafios.
Hum… Ainda não fiz o ponto da situação com esta conversa toda!
Pois bem, de assuntos arrumados e com uns dias passados na praia, rumei para a aldeia dos meus pais, tios, primos, avós e famelga. Não faço planos para vir para cá, confesso. Mas por momentos, o corpo pede esta paz e conforto das tias e família. Os olhos ficam cheios do verde e a natureza entra em mim, sabe bem andar descalça. Por momentos, sou a Maria. Passeio entre os campos, acariciando os animais, sorrindo ao sol.
Por aqui, o vento sobra nas árvores, como a fruta que colho e leio sentada no balcão observando o pôr-do-sol, não tenho grandes projectos, vivo como uma camponesa.
Absorvo a meninice e recarrego baterias para uma vida mexida, em que ser decidida e despachada é uma atitude a seguir.
“Olha para ti… Ainda há princesas”.
E Esta? Hein? Mesmo para a ocasião. Estes iogurtes conquistaram-me. Mereciam fazer parte de uma colecção!
Da tua, Cláudia.
O Vinte E Três
Há 15 anos
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