Não, não te vou contar como foi.
Sol observava as mudanças de expressão que Sírio ia adoptando enquanto rodeava a conversa. Obviamente que não queria pormenores, pois sabia muito bem ''como se fazem os bebés'', porém, era algo que gostava de conhecer melhor antes de se entregar, quem sabe a quem, um dia.
Bem, foi suave, bonito. Olha não sei explicar!
Sorriram as duas, enquanto que uma nuvem levava uma sombra obliqua ao rosto de Sol, não lhe tirando, contudo, qualquer parte do brilho natural.
Vá, foi metafísico... Ai, que parvinha que eu sou! Olha, já sei! Imagina uma almofada fofinha, depois imagina que comes algodão doce, em seguida visualiza uma avalanche, logo a seguir uma erupção vulcânica e... Raios!
Raios também? Poças, Sírio, pensei que fosse tudo mais...calmo e suave como tinhas dito!
Parva, claro que não houve trovoada nenhuma.
Acalmando-se ambas, fizeram retornar o silêncio e, agora, deixavam que as timidas gotas de chuva, que teimavam em não cair, se acumulassem nos cabelos loiros e negros das duas estrelas quais poléns na primeira tarde de Primavera.
Vou guarda-lo para sempre, amiga. Sei, sentimos que está perto, Sol. É inevitável e ele relembra-mo constatemente. Estou mais assustada que ele. Sol, ele vai abraçar a noite... E eu? Eu não vou conseguir, enfim, dar a minha Alma a mais ninguém, pois dele já ela é e com ele irá para além do intocável...
Sírio...
É a verdade, amiga.
Sírio, quem sabe!? Tu vais ficar cá, poças! A tua Alma vai ficar cá, tu tens que continuar a ser tu, não podes deixar que isto te derrote. Ele vai, mas se não o esqueceres ele viverá! Assim também quem és com ele viverá!
Sírio olhava a amiga com admiração e espanto. Sol nunca falara de tal forma, tão profunda e reflectidamente, qual Sábio antigo. Mas o que dizia era verdade, contudo Sírio não tinha certezas quanto ao futuro.
Acho que tens razão. Mas creio que entendes que vai ser muito dificil acordar todos os dias e enfrentar a vida sabendo que nunca mais vou ver e abraçar aquela silhueta e falar com aquele homem...
Podes sempre falar com ele através da Alma, Sírio. Foste tu que me ensinaste.
E, rivalizando com o de James, aquele sorriso, depois de palavras tão belas de amiga, fizeram Sírio prometer para si mesma que a sua Estrela irá acompanhar o brilho do Sol até que a época dos buracos negros chegue, até ao fim dos tempos, enfim.
Sem comentários:
Enviar um comentário