
Espanha, 19 de Janeiro de 2010
Hoje posso afirmar que foi um dos melhores aniversários que já tive. O meu vigésimo aniversário! Tive o prazer de estar com os meus amigos que estão a morar em Portugal. Trouxeram tudo o que uma portuguesa num país estrangeiro pode sentir falta. Desde os meus doces preferidos às prendas e o mais importante o convívio. Convivi assim, com um bocadinho de mim que se encontra a mais de 600km.
Hoje posso afirmar que foi um dos melhores aniversários que já tive. O meu vigésimo aniversário! Tive o prazer de estar com os meus amigos que estão a morar em Portugal. Trouxeram tudo o que uma portuguesa num país estrangeiro pode sentir falta. Desde os meus doces preferidos às prendas e o mais importante o convívio. Convivi assim, com um bocadinho de mim que se encontra a mais de 600km.
Por vezes, quando estou nas aulas da faculdade, lembro-me dos momentos de liceu que passei com eles. A chegada à escola sempre em grupo, as conversas durante os intervalos e até os segredos nas aulas de biologia. Mas a vida é mesmo assim, um mundo de escolhas e de caminhos diferentes. Eu tive de escolher o meu. Deixar tudo para trás e quase começar uma vida nova num novo país. Vim à procura do meu sonho. E quando se trata de sonhos, não podemos deixar de lado a possibilidade de os agarrar.
Contudo sempre que nasce um novo dia, eu tento imaginar o que estaria a fazer em Portugal. Sinto saudades dos conselhos sábios e da comidinha maravilhosa da mamã. E o meu pai que tanta falta me faz! Nunca dizia que não quando eu lhe propunha mais uma aventura. Viver longe das pessoas que mais gostamos é muito difícil. Por outro lado, se não tivesse agarrado a minha oportunidade seria uma frustrada, sem objectivos e com pouca vontade de dar aos outros o que melhor tenho de mim.
Apesar das saudades, viver em Espanha não é mau de todo! É certo que o curso exige muito estudo, muito estofo e principalmente muita coragem. Hoje tive mais uma aula de anatomia humana. Voltámos a dissecar corpos. Por vezes, ponho-me a pensar na história daqueles cadáveres, de quem seriam. Qual a sua história? Serei eu digna de tocar e mexer num corpo que foi de alguém? Tantas vezes que me ponho a imaginar a história da vida daquele pedaço de gente. Histórias de amor como as de Romeu e Julieta. Romântica como sempre. Os anos passam por mim e eu continuo aquela devoradora de livros de romances.
Mas hoje a única coisa em que consigo pensar é na visita dos meus amigos. Senti que apesar de não constar na vida de cada um, eles ainda me reservam um lugar cativo. Contam-me todas as vitórias com os olhos a brilhar. Chegam sorridentes, a vida corre-lhes bem. Fazem sucesso na faculdade em que estudam. Fazem planos para o fim-de-semana, nos quais só daqui a anos, eu poderei marcar presença. E também é certo que contam todos os segundos até eu voltar. E todos planeamos um futuro juntos. Todos sabemos que a vida dá cambalhotas e que num futuro próximo tudo mudará outra vez. Mas estamos cientes que somos nós que mandamos na vida e não é ela que manda em nós.
Mais um dia de anos. Eles não se esqueceram. Eles nunca se esquecem.
Mais um dia de anos. Eles não se esqueceram. Eles nunca se esquecem.
1 comentário:
Tão bonito!
A tua escrita sempre tão romancita e sensacional...
Amo-a
amo-te maninha! =)
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