terça-feira, 6 de novembro de 2007

Rosa, por amor matarás!


Olá, o meu nome é...não interessa.

E estou no manicómio.

Neste momento olho pela janela e lembro-me que tenho um mundo lá fora à minha espera. Talvez não à minha espera, mas pronto para sofrer com a minha liberdade.

Odeio estas janelas cheias de pó que quase nunca ninguém limpa. Porém, a sujidade não está acumulada o suficiente para me privar da paisagem irónica do jardim.

O jardim, onde andam aquele malucos todos a olhar pasmados e a babar-se pelos cantos. Uns tentam escapar, outros arrancam flores, alguns querem matar-se, e muitos andam cá por andar.

Eu, no fundo, tive sorte. Vim cá parar porque me deram como louca e incapaz. Agora percebo que é preferivel ser maluca do que morrer na prisão. Aquelas prisões onde vai parar a escumalha toda da sociedade. Não que eu não seja escumalha, mas sempre ganhei alguns aninhos de limpeza e pés quentes.

Nove anos são volvidos e cá estou eu mais uma manhã a olhar lá para fora. Não anseio a altura de sair daqui, mas sinto saudades de andar pelas ruas e ser olhada de lado. Tenho saudades de ver as mães a afastar as criancinhas da minha beira. Tenho saudades de quando aqueles tipos podres de bebedos se metiam comigo e viravam a próxima esquina com uma navalha nas entranhas.

Mas agora que penso nos males que fiz creio que a soma de todos eles não estão nem perto do horror do que me atirou para isto.

Estava tudo planeado, tudo meditado ao pornemor.

Naquele dia, estava com tanta raiva que a única coisa que via à frente era o teu sangue e a única coisa que sentia era o teu perfume revolvendo na minha roupa sempre que me mexia.

Queria tanto chegar lá, abrir a porta e encontrar-te em flagrante. Mas o que me movia era a oportonidade de me responderes a uma pergunta apenas. Porquê?

Era estranho, era horrivel e era como que uma paga por tudo de mal que fizera até àquele dia. Contudo doía tanto. Só me perguntava: Porquê? Porque é que depois de me salvares do submundo que eu era, simplesmente trais a minha alma entregando-te a outra?

Oh como eu te amo tanto pah! Nem sabes como foi belo teres-me feito esquecer da minha sede por gargantas cortadas e ruas sangrentas. Mas fizeste-o, tiveste esse poder não sei como.

Mas nunca me amaste, apenas me salvaste. No entanto, nao me preparaste para o novo mundo que me mostravas e foste embora entregar-te à tua verdadeira paixão.

Desististe da luta, deixaste-me só, mas tudo o que fizeste perdoei.

Sim, perdoei quando vos apanhei aos dois amando-vos no lugar onde me salvaras um dia. O teu sangue não correra, mas sim o dela que era o teu no fim de contas. Aínda bem para mim, pois se não me tivesse controlado provavelmente teria cortado o meu próprio coração ao magoar-te.

Olhando pela janela sei que merecia ter ficado por ali. A pobre mulher morreu por amar cegamente e sem dar pelo meu mal tentanto enfeitiçar o seu amado. E ele cá ficou, sofrendo como eu sofri, e odiando o meu ser para todo o sempre, sem nunca ter tentado compreender a minha própria razão de matar.

Não sei onde andas, querido. Espero que sejas feliz, pois eu sou. Amo-te na mesma. Ela já não. Será que a amas aínda? A mim sei que não, nunca o fizeste...

Hoje sei quem fui, quam sou e quem serei. Nada mais do que uma louca no corpo de mulher adulta. Ah, o meu nome é Rosa. Rosa, com muitos espinhos, obrigado.

Amanhã vou sair disto. Amanhã vou encontrar-te.

Amanhã o nosso sangue será derramado.

Amanhã...

1 comentário:

Cláudia disse...

LOUCA como eu gosto.
with love