A natureza observava o regresso de Maria. Ela estava mais crescida...
Mas continuava com os mesmos traços que lhe pintavam o rosto e o corpo.
Estava crescida. Mas, não se notava fisicamente.
Continuava doce, criança, gulosa e muito decidida. Isto era o que pensavam os animais.
A rosa, a túlipa, o mal-me-quer e todas as flores sentiam a sua fragância meiga e forte.
O mar, esse sim, denotava-lhe um olhar diferente. Maria olhava com uma expressão de desilusão. As ondas sorriam-lhe e cantavam-lhe uma melodia aconchegante, suave e ritmada.
Por momentos, os olhos fecharam-se.
E pode descansar em paz.
Como se a tormenta se tivesse dissipado.
Maria sabia que o mundo girava.
Que as realidades são diferentes.
Que cada momento é efémero.
E que nunca mais ia deixar a ampulheta ficar cheia.
Nunca se sabe se vamos ver as coisas da mesma maneira.
E o mundo dos crescidos é tão sem piada...
O Vinte E Três
Há 15 anos
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