No meu caderno florido e cheiroso rabisco a última página, faço-o há muito.
Esboço o teu nome, como sempre o faço em pensamentos. Mas segundos depois, risco uma cruz em cima de tal pedaço de grafite tua.
Sinto uma vontade louca de rasgar esta página, de apagar todos textos em que me referi a ti.
Mas se eu o fizer o que será de mim?
O que será das minhas recordações? Porque nós somos feitos de experiências, de boas e más. Magoarme-ia mais se voltasse a cair. E é por isso que te guardo secretamente para não cair. Não há borracha que neste momento te apague. E o que será de mim? Uma louca de passados. Uma peça perdida no tempo?
Esquisito saber que queremos uma coisa, mas que também por outro lado está incorrecto quer-la. Nesses momentos em que me proíbo de ti, um sentimento de irreverência cresce em mim, e pular a cerca é tão desafiante.
Aguardo no nosso jardim, que já não é nosso, agora é apenas esquisito, que sem crer me esqueça de ti, dos teus beijos, da tua voz e do teu amor.
Observo-te e faço-me de forte, ris-te e olhas-me como se me quisesses e o que faço?
Digo que tudo isto é imaginação, ou um pesadelo.
Daqueles que vêm sem voltar.
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