
-"Os homens são tão..."- murmurava a pequena.
-"Maus, pequenas peças de um puzzle que por vezes não encaixam. Coitados... Não conseguem ver a simplicidade das coisas pequenas, existentes na natureza."- respondeu a árvore mais sábia da floresta.
-"Nunca os compreendi!" - exclamava, Maria.
-"Mas tu és um deles, ou melhor, és humana com coração de flor, de mar, de animal." - disse o mocho.
-"Maria, qualquer dia vais ter de voltar à civilização . Quando sentires que está na hora vai." - falou o mar, que começava a ouvir a conversa, devido à maré cheia.
-"Um dia..."
O segredo habita nela. O mistério é enorme.
Humana?
Quem a trouxe?
Maria vive quando a desilusão se amontoa.
No momentos de fragilidade.
Nos campos sente-se o seu aroma.
O vento canta sem fim.
O rio corre com mais força.
Os animais cantam.
O medo da pequena volta, devagar como uma leve brisa.
Apesar de tudo, sente-se bem na sua casa,
No mar, no rio, no pomar, na floresta... Na natureza.
Um lar onde não há julgamentos.
Se fugiu? Não sei.
Se sempre viveu na floresta? Talvez não.
Maria é um pequeno pedaço de gente,
de tenra idade,
Usa uma borboleta no cabelo,
que segura os seus selvagens fios de ouro.
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