Peguei no leme da minha vida.
A corrente estava forte e as ondas batiam no meu batel. O barulho que fazias, ó mar, deixava-me petrificada.
Contra tudo, as forças remam contra a maré. As pás decididas giram e levam-me para longe da tempestade.
Os meus pergaminhos ficaram molhados e a tinta desbutou. O que tinha escrito já me esqueçi. As minhas memórias foram apagadas.
Assim, remei para outra terra. Uma ilha desconhecida. Um pedaço de terra desabitado. Cantarolei pela última vez a música que tu me cantavas.
A confiança e coragem retomaram os seus lugares debaixo da pele. Tal como, os Portugueses se aventuraram no mar e desconheciam o perigo, ai vou eu.
Por mares nunca navegados. Por terra nunca visitadas. Com uma faca na mão, prometendo observar as ervas antes de as colher.
Voltarei um dia? Talvez... Talvez... Talvez, nunca vá.
Imaginar que somos capazes de prosseguir é um passo.
Quem disse que enganarmos a própria alma é incorrecto?
Há dias em que descernimento se vai. Distinguir entre o correcto e errado só baralha as mentes fracas.
E só há uma frente da batalha.
Luto contra a minha luta.
Manejo a espada pela nova terra.
Com o meu chapéu de descobridor, sou quem quero e não eu.
Estou aqui. Para reclamar um novo território, uma ilha, um lugar, um pedaço de céu.
Conseguirei?
Se tu consegues, porque não conseguirei eu?
Fazes o que queres e não o que os teus olhos, sorriso e expressão transmitem.
Se consegues, eu consigo.
Apenas, representar o meu papel...
Feito de pequenos pedaços de gente.
O Vinte E Três
Há 15 anos
1 comentário:
AMEI!!!!!
=D
o teu melhor texto, sem duvida!
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