
Como todas as histórias, a vida tem de prosseguir e Sol voltara a casa para retomar o estudo, lavar a roupa suja, passar a ferro depois desta anterior ter secado, tratar da sua higiene diária e arrumar as roupas por cor e por fim, lavar todas as canecas de café que sujara enquanto realizava maratonas de estudo na sua varanda.
Depois de semi-organizada uma vida, porque uma vida nunca tem organização, decidiu descer ao café da esquina e comprar pão quente e outros mantimentos. Quando toda a sua existência parecia estar coordenada e em ordem...
-Podemos conversar? - disse José.
-Claro. - sorriu-lhe Sol.
Sentaram-se numa mesinha do singelo café e tomando uma água e um café...
-Decidi levar-te comigo neste fim-de-semana grande à aldeia da tua...
-Avó.
-Isso...
-Oh, José. Eu quero ficar por cá, o namorado da Sírio está muito doente. Ainda agora consegui voltar a organizar o meu tempo e casa para o estudo.
- Não sabia que o Santiago estava doente... Podias me ter dito alguma coisa e eu estava lá. Afinal, há dias que não me contactas, desde a pintura da tua casa... Não percebo como te distancias! Não percebo como não organizas a tua vida para mim... Como fazes com a disciplina de Anatomia.
- Eu não estou pronta para me relacionar. Eu sou assim: assustadora e magoada. Eu não faço amigos facilmente... Eu não me dou... Eu não estou pronta. O meu ambiente familiar não foi o melhor. A minha avó morreu. O rapaz de quem eu sempre gostei...
Porque há pessoas que não gostam de saltos grandes, porque as pernas delas não o permitem.
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