Da noite o dia avançou, as sombras jogaram com a luz numa batalha errante.
E os ruídos exteriores foram corrompendo o silêncio sagrado da sala que antes fora escura, antes fora noite, antes fora tudo e nada.
A perfeição nunca estivera tão presente.
A profunda apatia dominara.
O perfeito silêncio reinara.
O desejo de ter ficado assim para a eternidade fora imenso.
Ter ficado. Apenas ter ficado. Não ter feito sentido. Não ter sido nada. Não ter sido tudo.
Um desejo de ter vivido num mundo interior, ter alternado entre a consciência e a insanidade, ter rodopiado por entre o desespero e a angustia, ter dançado com as inquietudes e turbulências mais intrínsecas…
O resto que tivesse prosseguido, se tivesse havido resto.
Um ter querido que a profunda inércia tivesse imperado por completo e, assim, tudo tivesse transformado em flutuações metafísicas.
Flutuações, pulsações…
Pulsações para além do perceptível, onde nada teria feito sentido, onde tudo teria perdido a noção do Existir.
Explodira em emoção, gritara no vazio, modificara sem deixar diferença, chorara brasas ardentes, partira sem deixar estilhaços, agonizara em paz, correra sem distância, expandira ficando menor, sorrira do fundo do abismo, esforçara sem energia, morrera e continuara presente…
Evolução imparável, alteração imutável, pico ultrapassável.
Decadência, demência aumentando exponencialmente enquanto o tempo, o resto, não deixa de fazer sentido.
Combate interiormente, cria a partir de dentro, fragmenta internamente ao ritmo da sua inércia acelerada.
Continua até ao fim, o novo início, uma nova repetição.
Constante moção.
Fora não tendo sido.
Existe não existindo.
Recomeçará não indo acabar.
Deixará que tudo invada a tormenta, a tristeza, o desalento, a confusão, a loucura, a raiva, a insanidade, o pânico…
E por fim, o que resta do que não fora e do que não é…
O Silêncio.
O Vinte E Três
Há 15 anos
2 comentários:
wow
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