terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Alfa & Omega: Nunca mais!

Esta é mais uma noite de tantas outras, estou farta!
Queria tanto que estivesses aqui, ao pé de mim, a jantar esta comida que todos os dias faço com tanto amor e dedicação.
Mas nada.
Nunca estás cá e, quando chegas, já é tarde, já eu estou deitada a tentar acalmar os nervos.
Acabo por desistir de esperar pela refeição a dois e vou deitar-me.
Contudo, o relógio não me deixa sozinha, os nervos e os maus pensamentos não me largam um segundo.
Primeiro começo por ver que já são 21h da noite e tu não apareces.
Depois, vejo que já são 22,14h e nem sinal de ti.
Por fim, depois de olhar tantas vezes e voltar a olhar até ter uma valente dor de cabeça, acabo por me render à 1,23h na manhã.
Dirijo-me ao nosso quarto.
Repito uma série de rituais femininos, tais como escovar o cabelo 100 vezes antes de dormir, por creme hidratante na pele, olhar-me ao espelho e ver como os anos já pesam...
Estes anos todos e nunca me deste uma noite diferente da anterior.
Todos os dias chegas tarde, tão tarde.
Porquê?
Sou assim tão mau porto de abrigo para repousares o teu cansaço?
Sou assim tão má na cama para já não demonstrares desejo por mim?
Mas porquê? Fui eu a mulher com quem te casas-te há tanto tempo, continuo a mesma!
Somente tu mudaste...
Quando nos casámos não eras assim.
Eras atencioso e tudo mais pelo que me apaixonei há tanto tempo.
Ainda estou apaixonada, lá está a questão que me faz estar aqui à tua espera todas as noites.
Só que tu não dás valor.
Terás alguma amante?
Apaixonaste-te por outra pessoa?
Agora choro.
Choro por pensar que, com o avançar dos anos, tenhas olhado para mim e tenhas percebido que as mulheres não conservam a sua juventude física para sempre.
Amante?...Talvez uma jeitosa jovem, não? Destes lados já não levas nada "jovem" é?
Não te esqueças é que essa que podes andar a comer agora também vai deixar cair os dentes um dia!
Oh, não posso deixar esta raiva tomar conta de mim.
Não vou chorar mais por ti.
Queres assim, assim terás!
Alias...não queres.
Então, não terás mais!

Eram 3,48h da manhã.
Ele chegou a casa e tentou não fazer barulho a abrir a porta de casa.
Entrou.
Dirigiu-se à cozinha e reparou no molho seco dos bifinhos de peru e na salada já mole em cima da mesa de jantar.
Foi abrir o frigorífico e descobriu uma garrafa de água fresca.
Bebeu-a de penalty.
O raio da rapariga tinha-o deixado em brasa, tanto que podia jurar ser capaz de a devorar aqui e agora outra vez.
Deixou-se desses pensamentos e passou ao quarto, onde a velha estava já a dormir e já tinha aquecido a cama.
Abriu a porta...

Eram 5,01h da manhã e já a corda ensanguentada estava num saco de provas da polícia.
Meia hora depois, sem que nenhum inspector desse conta, ouve-se um tiro.
Um tiro de arrependimento, de reconhecimento, de vergonha, de culpa...

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