segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Não podes existir!

Porque não gostas tanto de mim como eu gosto de ti?
A tua companhia, o teu olhar atento sobre mim, o teu gesto de compaixão, o teu riso brincalão, o teu gozo maroto quando faço asneiras, a tua atitude meiga, a tua euforia momentânea...
Porque me tens que afectar desta forma?
Porque me és uma necessidade?
Só quero saber porque não vivo sem te olhar e sem que me olhes?...

Sei que me adoras tanto, sabes que faço o mesmo...
Mas sei que nunca me vais amar tanto como eu a ti!
Eu que te vigio de perto e de longe.
Eu que te sinto a falta estando contigo ou sem ti.
Eu que penso em ti agora e mais logo.
Eu que te desejo quando te toco e quando desapareces de mim.

És como água a passar pelos buracos de uma rede.
Passas facilmente sem que eu consiga reter qualquer pedaço mais significativo de ti.
Sou como uma rede cheia de imperfeições, cheia de buracos onde falta o preenchimento que requeres.
Não te preencho como queria.
Mas tu preenches-me, tu disfarças as minhas imperfeições e completas a minha imperfeição com a tua dimensão divina.

Maldição que és!
Dádiva que me dás!
Dor atroz que me consome!
Prazer que és!

Tens magia, sim.
És fascinante no teu mistério e subtileza.
És um encantamento vivo de um livro de magos há muito perdido.
Não podes existir, és demais para a compreensão da mente humana.
És produto do divino no qual eu não acredito...
Não acredito em ti...

És tudo em mim,
És coração, alma, razão, carne!
Não acredito na tua existência,
Essa que me faz viver a mim!
Não acredito que possas Ser...
Não Sou!

Sem comentários: