segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Alfa & Omega: A sua estrela

Suspiros...
Está só. Consigo sentir que sim.
Suspira enquanto olha as estrelas, estou certo disso.
Lembro-me de quando me diz para a acompanhar enquanto as conta.
Sim, ela conta-as. Mas são tantas, tão infinitas como o brilho dos seus olhos...

O corredor é frio, sinto falta do seu abraço quente e aconchegante.
Espreito pela porta entreaberta.
Sim, adivinhei.
Não! Soube...Simplesmente soube...

Lá está ela, perfeita à luz da Lua...
Imagem bonita, espantosa, suave.
As formas bem recortadas no chão.
O perfil rivaliza com as manchas da Lua, linda que é...
Lembra-me quando a observo a dormir, a sonhar.
Recordo-me de a ver dormir, vezes incontáveis.
E nessas alturas, tão serena que está, apenas a olho e sento os seus pensamentos como se fossem meus...

Fecho a porta devagar.
Não quero estragar os seus momentos de inspiração.
Sei que depois de observar o luar e o manto negro do céu, virá para mim.
Aí sim, o produto da inspiração é revelado sob a forma de suaves notas musicais...
A sua voz...
A sua voz que canta para mim, a sua mão que toca a minha...
Os seus lábios que me beijam...

Retiro-me do seu local sagrado.
Vou caminhando pelo corredor, desço as escadas e saio de casa.
Daqui vejo-a a observar o infinito...
Pena que não se dá conta do infinito que ela própria é para mim...

Aqui fico a observar o Cosmos.
Ela já se retirou...
Oiço...
A sua voz fascinante, a sua melodia tocante.
Espera-me em silêncio.

Volto a espreitar pela porta entreaberta.
Desta vez a Lua ilumina a sua silhueta enquanto esta repousa na cama...
Desejo juntar-me a ela, apenas.
Mas fico a observar, uma dádiva...
Enquanto sonha, sem se mover, um sorriso aparece na sua face emoldurada pelos seus cabelos.
Tão...
Subtil e encantante...

Fico aqui...
Fico a olhar, simplesmente.
Espero pela manhã...
Espero que os raios do Sol venham e a acordem, calmamente.
Anseio pelo seu sorriso terno...
Anseio por ve-la abrir os olhos esmeralda.
Porque de manhã irá convidar-me a juntar-se-lhe...

E à luz da manhã ela será minha...
Para à luz da noite se ir embora de mim...
Uma e outra vez...
E outra vez...
Num ciclo vicioso...
No qual a sua alma é minha...
Mas longínqua...
Como a sua estrela...

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