quinta-feira, 3 de abril de 2008

Criança Caracol, sou a Lua!

Lá está ela.

E corre e salta pelos montes verdejantes como uma doida!

Ondulam a saia laranja e os caracóis claros, ao sol.

Gostas de dançar, pintar?

Trautear uma melodia, saltar ou escrever um conto?

Quem és?

Vejo-te sempre que o Sol não me tapa com o seu brilho, pequena.

Tens 4 anos.

Não, talvez 6?

Estás na escola?

Sim, mas és naturalmente esperta, pequena.

Olá, sou a Lua.

E tu como te chamas, Criança Caracol?

Hoje andas por aí, sozinha e sem medo, aos pulos por entre as flores e os ratinhos do campo.

Ontem ficaste em casa, mas não sei o que fizeste.

Deves ter estado triste, um passarinho preso chorando pelo vento.

Mas amanhã que farás?

Voarás!

Espero poder estar no céu para te ver, Criança Caracol...



As nuvens voltaram, mas não se atrevem a cobrir-me.

O Sol está a ir-se embora.

A noite aproxima-se e é quase hora de eu brilhar.

Vem para a janela, hoje, e vamos falar noite fora!

Se os teus pais deixarem, claro...

Podemos falar sobre tudo o que a tua curiosidade de miúda quizer.

Vou contar-te os segredos das estrelas!

Gostavas de ser uma delas?

Leva os caracóis a passear ao Sol.

Isso bastará e não precisas de ficar eternamente presa a este manto negro que me cobre e às estrelas também...



Olá Maria, pequena, Criança Caracol...

Ouves-me na noite?

Nos teus sonhos de menina?

Tenho muito para te contar sobre as estrelas!

Dorme bem a tua infância, a manhã está próxima.

Em breve será hora de irmos embora...

Em breve será hora de deixarmos o sonho...

Em breve será hora de observares a realidade ao espelho,

Pequena mulher de 18 anos.

1 comentário:

Cláudia disse...

Docil e meiga Lua, que mesmo de dia está lá no alto escondida por nuvens de algodão e pelo grande sol de caramelho, vem falar comigo! Tu precisas do que eu preciso, apesar de eu ser uma criança e tu uma estrela...
Cativaste-me e eu a ti, estabelecemos laços que nem o dia pode quebrar. Depois de lutas diárias... Apareço cansada à janela e tu começas a crescer aos poucos, quando estás cheia de amor, brilhas... E eu que nem uma flor recebo-o e só por isso é que corro por todos os campos e falo com as borboletas! E tu Lua de todos, és para mim como o sol! És dócil como uma irmã, que aconchega o lençol e me proteges...
E por vezes, tenho tanta pena que tu fiques agarrada a esse manto preto...
Hoje precisaste que eu fosse à janela... Eu conheço-te. Além disso, tu és a minha pessoa durante o dia.
Gosto de te dar a mão e de acariciar esses olhos de Lua brilhantes e bonitos...
Correrei pelos campos por ti, falarei do teu brilho aos animais e tu... estarás sempre a minha caixinha, caracóis, olhos e...
Se eu corro... tu brilhas...
Anda falar comigo para a janela...